Dólar inibe exportações; preço do milho não reage
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Reportagem Local 
O atraso no plantio de milho no Paraná, por falta de chuvas, pode resultar em redução da safra de verão. Um fator de desestímulo que marcou a última semana foi a queda na taxa de câmbio, que inibiu as exportações brasileiras de milho, num momento em que os embarques eram essenciais para sustentar os preços. É que o mercado interno não está comprando na mesma velocidade e volume da oferta, marcada pela colheita da safrinha, que teve bom desempenho em quantidade e qualidade.
''O mercado interno não está absorvendo a oferta e isto acaba reduzindo ainda mais os preços aos produtores'', observou esta semana o analista de Mercado José Pitolli, de Cornélio Procópio.
Outro fator adverso é a ausência de financiamentos de custeio ou de comercialização. O produtor não está tendo chance de adiar compromissos e a principal forma de fazer dinheiro é vendendo o milho.
Entre plantar milho fora da época ideal e optar pela soja à última hora, o produtor pode fazer a segunda opção, abandonando o milho. Isto pode ocorrer na faixa de produtores que têm lavoura tecnificada. Diante desse cenário a redução da área de milho na próxima safra pode ser ainda maior, conforme admite José Pitolli.
Quem pode segura o produto, sugerem os analistas. Mas alertam para os custos financeiros e quebras técnicas dessa estocagem.
Safra americana - Nos Estados Unidos empresas de consultoria projetam uma safra de milho maior este ano. A Agência Dow Jones compilou as informações divulgadas por 20 empresas de consultoria e casas corretoras que tratavam da nova estimativa para a produção da safra. As empresas estão prevendo 255,57 milhões de toneladas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), em seu relatório de oferta e demanda divulgado no início de setembro estimou a produção em 252,57. Os indicadores são de que o mercado internacional terá boa oferta, ao contrário do que se divulgou na semana passada. Desta forma, as chances de o Brasil exportar com câmbio baixo são poucas.
O mercado paranaense trabalhou lento durante toda a semana tanto no Norte como no Oeste. Na quarta-feira, segundo a Granoeste, de Cascavel, os preços giraram entre R$ 15,50 e R$ 16,50.
Consumo - O consumo brasileiro de milho cresceu 98 mil toneladas nos últimos quatro meses, o que representa um avanço de 7% no período. Segundo a assessoria da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho) o responsável por esse incremento foi a campanha ''Milho é Melhor'', realizada pela Associação.


