A polêmica sobre o controle do dólar por parte do Banco Central aumentou nos últimos dias porque o setor exportador andou informando pela imprensa que teme que a queda da moeda norte-americana comprometa a competitividade dos produtos brasileiros, principalmente os do agronegócio.
Afinal, com o dólar abaixo de R$ 3,00 é difícil exportar? A resposta é negativa. Mas quando cotação bate nos R$ 2,80 há exportador que perde o sono.
A Folha Rural procurou esta semana o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, sobre a situação da soja. Lourenço acha que o dólar a R$ 2,80 - o que equivale a R$ 33,00/34,00 a saca -, deixa bom lucro para o produtor. ''Acontece que o pessoal da soja estava acostumado com o câmbio alto e a saca de soja a R$ 40,00/45,00. Então não ninguém quer vender.
A retenção da soja por parte de produtores chegou a refletir no fluxo de industrialização da Cocamar. A cooperativa teve que comprar soja de terceiros para manter a indústria em atividade. Mas Lourenço acha que a situação se normaliza com a definição do plantio da safra norte-americana. E o dólar também deve encontrar um patamar ideal, que ele acha que deve girar em torno de R$ 3,00.
Ao analisar o bom momento que vive o agronegócio, Lourenço disse que o aumento da produtividade é um dos fatos mais importantes na última safra. A última safra tem médias em torno de 3.000 kg/ha.
O arenito também cresce. Sua área passa de 280 mil ha, ano passado, para R$ 400 mil ha este ano. A agricultura no arenito está distribuindo renda nos municípios da região.
A Cocamar deve fechar o primeiro semestre do ano com um crescimento - em relação a igual período do ano passado -entre 35% e 37%. Com base nos números já conhecidos, é possível projetar um faturamento acima de R$ 1 bilhão para 2003.
Mudança - Na última quinta-feira, com a alta do dólar (comercial R$ 2,942/2,947; paralelo, R$ 3,050/3,150; turismo, R$ 2,850/2,990) houve a primeira manifestação de que o processo pode se reverter. A Bolsa de Chicago fechou em alta e o mercado interno, finalmente reagiu.
No mercado interno brasileiro, os preços apresentaram-se novamente em alta na maior parte do país. Os preços internos foram sustentados pela firmeza da bolsa de Chicago, mas principalmente pela valorização da moeda estadunidense frente à moeda nacional - informou a FNP, Consultoria e Mercado. Na praça de Rondonópolis (MT), o preço apresentou-se bem mais forte, cotado a R$33,50/saca no mercado disponível. Em Cascavel, o preço também se elevou, negociado a R$ 37,00/saca no mercado disponível. No porto de Paranaguá, pequenos negociados foram reportados ao redor de R$ 40,00/saca para a soja com entregue na próxima semana. O prêmio referente à julho próximo situava-se a 15 abaixo de Chicago.

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