Dois pesos, duas medidas
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sábado, 04 de dezembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Defender o trigo nacional pode custar caro ao Brasil. Esta é a opinião de Lawence Pih, porta-voz da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e presidente do Moinho Pacíficio, de São Paulo. Convidado para o debate promovido pela Folha Rural sobre o futuro do trigo no Paraná, Pih não pode comparecer mas telefonou e deu sua opinião.
Segundo ele, o trigo deve ser encarado apenas como mais um dos vários grãos que compõem a balança do agronegócio nacional, já que representa apenas 4,25% das 130 milhões de toneladas (t) produzidas no Brasil. ''Precisamos fortalecer as relações comerciais com o Mercosul e a melhor forma é deixar que o trigo argentino seja competitivo no País'', assinalou Pih.
Ele ressalta que os preços argentinos são mais agressivos, pois o custo de produção é inferior ao brasileiro. ''Eles se contentam em receber até R$ 240/t, enquanto os produtores brasileiros reclamam do preço mínimo, que hoje está em R$ 400/t'', apontou. Ainda de acordo com Pih, o preço mínimo praticado no Brasil é alto em relação ao do mercado mundial, que caiu de R$ 130 para R$ 115.
O que o governo poderia fazer, sugere Pih, é financiar a compra de silos para que os moinhos possam estocar a produção nacional. Tirar das indústrias o teto de R$ 10 milhões em Empréstimos do Governo Federal (EGF) e aumentar em 300 mil toneladas as opções de venda também podem resolver os problemas mais urgentes, segundo o porta-voz da Abitrigo.
Para Pih, o importante é não barrar o produto argentino para não sofrer retaliações com a soja, cana, algodão e carne, produtos brasileiros de maior exportação. ''O Brasil não pode ter dois pesos e duas medidas. Isso só serviria para colocar em risco a receita de US$ 20 bilhões que o País arrecada com o agronegócio'', finalizou.


