Em tempos de crise econômica, sempre há setores que encontram atalhos em meio aos caminhos tortuosos. Quando a tempestade chega, nada de esperar a bonança sentado: é preciso aproveitar as oportunidades que surgem naturalmente. No agronegócio paranaense, a suinocultura foi o segmento que seguiu essa cartilha à risca em 2015. Enfrentou dificuldades, é verdade – como o preço salgados dos insumos devido à alta do dólar –, mas incrementou os valores de produção e exportação, aproveitou o aumento do consumo interno e gerou margens de lucro rentáveis. No Estado, o setor conquistou índices mais impactantes do que a média nacional e deve continuar assim em 2016.
Mercado movimentado, no português do produtor, significa grande produção. Capacitado e tecnificado, o suinocultor paranaense tirou o aumento da carga de trabalho de letra. Entre janeiro e junho deste ano - números mais atualizados -, foram 3,31 milhões de cabeças abatidas, uma alta de 11,8% frente ao mesmo período do ano passado. Até dezembro, a expectativa é que a produção feche com elevação de 7%. Em 2014, a alta foi de apenas 0,7%, para uma produção de 611 mil toneladas. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a produção nacional de suínos deve crescer apenas 2,6% em todo o País, quase três vezes menos que a média paranaense projetada. A estimativa do Departamento de Economia de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é ainda mais pessimistas para o Brasil: alta de 1,6%.
Motivos fortes que justificam os números são o maior consumo interno e, claro, as exportações para a Rússia (veja box). O consumo está ligado diretamente à situação de instabilidade econômica no País. Explica-se: com menor poder aquisitivo da população este ano, a carne vermelha – mais cara na gôndola – foi substituída pela carne suína. "A substituição da proteína é algo natural nesse momento de economia volátil. A suinocultura tem aproveitado bem tal situação", explica o técnico do Deral, Edmar Gervásio.
Celso Doliveira, do Departamento Técnico Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), relata que a alta de demanda faz com que novos frigoríficos sejam projetados como, por exemplo, na região Oeste e nos Campos Gerais. "Muitas empresas e cooperativas estão de olho neste aumento de produção. São boas perspectivas tanto no mercado interno como no externo. Os suinocultores paranaense e brasileiro têm um perfil empreendedor, responsável, tecnificado, com instalações modernas e trabalham com boa genética. Se tiver demanda, ele vai produzir o necessário para atender os mercados."
Para 2016, ambos os especialistas concordam que o cenário poderá se manter competitivo, o que seria um ótimo resultado. "Tudo é especulação e projeção, mas se a comercialização continuar como agora, está excelente", comenta Gervásio. Já Doliveira espera um crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP) do segmento em pelo menos 5%. "O suinocultor precisa produzir com eficiência, qualidade e a indústria vender esse produto com cortes modernos, temperados, para valorizar a carne. É preciso aproveitar que os brasileiros estão consumindo menos carne bovina e investir num trabalho de marketing forte em cima dos suínos, prestigiando os aspectos positivos e nutricionais do produto."

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