As principais doenças que atacam o morangueiro, o manejo integrado dessas pragas e o cultivo do morango orgânico foram os temas que mais despertaram a atenção dos participantes do 2º Encontro Sobre a Cultura do Morangueiro, promovido na última terça-feira em Londrina pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paraná 12 Meses, Emater e Programa Hortiqualidade da Faep. De acordo com Zuleide Hissano Tazima, pesquisadora do Iapar e coordenadora do evento, 60 produtores e técnicos participaram das discussões.
Entre as principais preocupações, destacou-se a flor preta, uma das doenças enfrentadas pelos produtores paranaenses e que é causada pelo fungo Colletotrichum. Zuleide informou que o controle do problema não depende apenas da aplicação de defensivos. Para garantir plantas sadias, é preciso investir no preparo do solo e nos tratos culturais adequados. O objetivo é nutrir melhor os morangueiros e minimizar os problemas de stress, tornando-os mais resistentes a doenças. ''Dessa forma, diminui-se também a necessidade de usar defensivos'', avaliou.
Também é preciso tomar cuidado para evitar a transmissão para plantas sadias, principalmente durante a colheita e a irrigação. A recomendação, segundo Zuleide, é irrigar por gotejamento para impedir que o fungo se espalhe junto com a água.
Quebra de safra
O Paraná possui 400 hectares (ha) de área plantada com morango, cultivados por 713 agricultores que obtiveram, em 2000, uma safra de 8.750 toneladas. A pesquisadora informou que este ano, por causa das doenças, muitos produtores não conseguiram colher os frutos, o que resultou em quebra de produção. ''Os melhores resultados foram obtidos nas lavouras orgânicas, onde o solo é preparado a longo prazo'', observou.
Para evitar que o problema se repita nas próximas safras, o Iapar está fazendo um levantamento para definir quais os fungos mais recorrentes nos morangueiros do Paraná. ''Com o resultado em mãos, acompanharemos as lavouras desde o início e orientaremos sobre os tratos necessários para evitar doenças'', espera.
Morango orgânico
Vinte e sete produtores paranaenses cultivam morango orgânico em uma área total de 3,28 ha. Eles foram responsáveis pela produção, em 2000, de 122,6 toneladas, informou Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de agricultura orgânica da Emater. ''Esse segmento cresce 50% ao ano no Paraná'', disse o técnico, lembrando que a vantagem do sistema orgânico não está apenas nas práticas culturais mais saudáveis, que dispensam o uso de agroquímicos. Enquanto a produtividade média do morango convencional é de 21.940 kg/ha, nas lavouras orgânicas esse número sobe para 34.330 quilos/ha. ''A média é 50% superior'', analisou.
As vantagens também estão explícitas nos preços. A caixinha com 350 gramas de morango orgânico é comercializada pelo produtor a R$1,50, totalizando R$ 4,28 por quilo. Como o custo de produção é de R$ 1,50/quilo, a renda resultante é R$ 2,78/quilo. Os números do morango convencional são bem menos expressivos. A caixinha custa R$ 0,50, o quilo sai por R$ 1,42 e o custo de produção é R$ 0,80, resultando em uma renda de R$ 0,82/quilo.
A dica para conseguir comercializar orgânicos a preços compensadores é vender direto ao consumidor. ''O produtor deve evitar intermediários, que sempre ficam com a maior parte dos lucros'', comentou. Em Curitiba, existem três feiras de produtos orgânicos que absorvem a oferta de morango. ''Durante o encontro, sugeri ao secretário de Agricultura de Londrina (Nilson Ladeia) que criasse uma feira no município, que tem potencial para sustentar essa iniciativa'', disse Hamerschmidt.

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