Doença prejudica lavouras de soja
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2002
Reportagem Local 
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento detectou um novo
vírus, denominado de necrose de haste da soja, que provocou perda total
nas lavouras na região de Barreiras, Sul da Bahia, e no Sudoeste de
Goiás.
Como o novo vírus provoca a queima e o entortamento do broto e as
plantas ficam deformadas e anãs, pode haver confusão com os sintomas
causados pelo vírus da queima do broto. O produtor deve estar atento
para identificar corretamente o problema, já que a partir desse mês,
eles começam a adquirir os insumos para a próxima safra. O
reconhecimento dos sintomas da doença ajuda na escolha da cultivar
resistente, porque o controle químico do inseto transmissor, a mosca
branca, é muito difícil, explica o pesquisador da Embrapa Soja, Álvaro
Almeida.
A Embrapa Soja conduziu vários estudos para avaliar a reação da maioria
das cultivares de soja recomendadas. A partir desse levantamento é
possível indicar as cultivares resistentes ao vírus para várias regiões
produtoras.
Identificação do problema
A infecção de soja por esse vírus foi identificada pela primeira vez, em
1973, na África. Dez anos depois, um vírus similar foi detectado no
Brasil, infectando o feijão. No entanto, esse vírus não causava o mesmo
dano à soja do que o encontrado em Goiás e na Bahia. Uma dúvida
persiste, se o atual vírus é ou não oriundo de uma mutação do vírus do
feijão, indaga o pesquisador.
Pertencente ao grupo de carlavírus, o novo vírus ataca a soja
prejudicando seu crescimento e causando a morte da planta. A Embrapa
Soja utilizou métodos moleculares com o DNA do vírus para diagnosticar a
doença. De acordo com as características de cada cultivar de soja, o
vírus pode induzir ao nanismo e à deformação foliar ou mesmo provocar a
necrose da haste e até matar a planta.
Como tudo ainda é muito novo, não foi possível levantar números, mas
sabemos que o ataque do vírus causa sérios prejuízos econômicos, diz o
pesquisador.
O carlavírus é facilmente transmitido por mosca branca, inseto de
ocorrência generalizada em lavouras de soja e outras espécies. A mosca
branca voa a grandes distâncias e se multiplica com facilidade, o que
pode ampliar a disseminação da doença. Considero preocupante a presença
desse vírus no Brasil, porque onde foi detectado causou sérios prejuízos
nas lavouras, avalia Almeida.


