Arquivo FolhaSe o número de animais infectados no rebanho for baixo, recomenda-se o descarte, para evitar disseminação da doença.O vírus causador da leucose é da mesma família e está classificado no mesmo grupo do vírus que causa a AIDS em humanos, o HTLV. Está aí um dos motivos da doença estar sendo chamada de ‘‘AIDS bovina’’, o que na opinião de muitos veterinários é um exagero. Além da coincidência do vírus, os sintomas são semelhantes e causam também baixa imunidade nos animais, que ficam mais sujeitos a problemas de fertilidade, cascos e mamite, entre outros.
De acordo com o professor aposentado da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), José Luiz D’Angelino, a leucose não tem cura e pode matar o animal. Numa propriedade onde existe o problema, de 3% a 5% dos animais podem apresentar quadro de tumoração pelo corpo e morrerem rapidamente. Em outra forma, a doença vai debilitando ao longo de anos e um dos maiores prejuízos está na queda da produção leiteira em cerca de 11%.
Meios de evitarD’Angelino afirma que em algumas regiões do interior de São Paulo o índice chega a até 80% dos animais de uma propriedade. Como não dá para eliminar todos os animais, é preciso que o produtor aprenda a conviver com a doença e evitar que outros animais infectados ingressem no rebanho.
A forma de contaminação mais grave se dá pelo sangue. Alguns cuidados básicos de manejo podem evitar maiores problemas, como manter os instrumentos bem limpos, não usar a mesma agulha em vários animais, limpar bem os equipamentos de descorna ou da colocação de brincos marcadores no gado, entre outras medidas. Já ficou provado também, segundo o professor, que o uso de luvas de palpação retal para examinar várias fêmeas também é fator de risco.
Segurança genéticaFala-se até em transmissão via sêmen o que, segundo técnicos, no caso da inseminação artificial feita no Brasil não seria problema. ‘‘As grandes centrais de produção fazem todos os testes para avaliar a saúde dos animais utilizados para coleta e distribuição do material genético’’, afirma o diretor técnico do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura de Campinas (SP), Armando Salvador.
Outro modo de evitar altos índices do vírus na propriedade é o cuidado na hora de comprar animais. Assim como pede exames de animais para tuberculose, aftosa e outras doenças, o criador pode exigir a sorologia para leucose. Mesmo existindo doenças ‘‘mais importantes’’ economicamente para o produtor, ele não deverá descuidar da sanidade dos animais como um todo.
Descarte de animaisO chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Felisberto Queiroz Baptista, garante que a assistência técnica oficial tem feito um trabalho estratégico para controlar e erradicar enfermidades que afetem o rebanho paranaense e, consequentemente, o comércio interno e externo de carne.
Baptista declara que a leucose, no Estado, não tem sido uma doença de grande infestação. Segundo ele, em 1997 foram identificados ‘‘apenas oito animais positivos para a doença, e foram descartados.’’ Como a doença não tem cura a recomendação dos veterinários é para eliminar os animais assim que for constatada a presença do vírus no sangue.
Altos índicesO diretor técnico do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura de Campinas (SP), Armando Salvador, afirma que os resultados laboratoriais realizados no sangue de rebanhos daquele Estado, através do órgão, não demonstram intensidade da doença ou de animais infectados.
Mesmo assim, ele não contesta os números da pesquisa feita pela USP em 1991, em 15 propriedades do interior de São Paulo, quando foi constatado, em 1722 amostras de sangue de animais, índice entre 14% e 71%. O levantamento foi feito por uma equipe da USP da qual D’Angelino participou.
Outros meiosAcredita-se que o contato com secreções nasais, oculares e vaginais também propiciem a contração da doença. Segundo o professor D’Angelino, outra forma de transmissão é a premunição (prevenção), principalmente em animais importados. A prática provoca uma infecção controlada, para imunizar os animais contra a babesiose ou anaplasmose, doenças provocadas pelo carrapato tropical.
Em algumas propriedades é comum esses animais serem inoculados com uma pequena quantidade de sangue de um outro criado em condições brasileiras. ‘‘As inoculações são feitas geralmente em doses de 5 a 10 milímetros, em que o vírus está presente em seu estado mais puro. Por isso, é extremamente importante que se façam provas sorológicas dos animais que vão ser doadores, com controle sistemático de leucose’’, recomenda D’Angelino.
Outra forma de transmissão do vírus, afirma o professor, é pelo colostro e leite de vacas infectadas. Segundo ele, um estudo recente observou animais soropositivos (que têm reação ao vírus) desde a primeira mamada até um ano de idade. Quando não foram criados em confinamento, perto das mães soropositivas, eles deixaram de apresentar o vírus em até 120 dias, com o desaparecimento dos anticorpos que demonstram a presença da doença no sangue.
Como aconteceO vírus da leucose bovina, explica D’Angelino, instala-se nos linfáticos, que são os glóbulos brancos do sangue, multiplicando-se exageradamente. Depois de certo tempo, parte dos animais infectados desenvolve tumores em diferentes órgãos. Segundo D’Angelino, já foram constatados tumores em várias partes do organismo de bovinos infectados pelo vírus da leucose (tecido muscular, medula, coração, gânglios, pulmão, bexiga, rins e baço).
O sintoma inicial é o aumento generalizado dos linfonodos. Mas, a única forma segura de diagnóstico é o envio do sangue para exame. ‘‘É importante que o veterinário, ao deparar com um quadro multissistêmico, sem resposta ao tratamento, lembre-se de que pode se tratar de leucose’’, explica o professor. Mesmo infectados os animais não têm afetado o seu desempenho reprodutivo, segundo uma pesquisa realizada pela equipe de D’Angelino, em 1991. Ao comparar animais sadios e infectados, os técnicos não notaram diferenças expressivas no intervalo entre partos e coeficiente de natalidade. Foi registrada, no entanto, uma queda de produção leiteira de 11%.
Medidas de controleO professor explica que as únicas formas de controle são as medidas de prevenção, como o uso de equipamentos descartáveis (agulhas, luvas e outros instrumentos usados para tratamento, exames, vacinação, descorna ou tatuagem) e mudanças na prática da premunição, com o emprego de animais sadios.
O criador, alerta o professor, pode identificar os animais infectados e isolá-los do resto do rebanho; além de tomar cuidado na hora da aquisição de novos animais, exigindo atestado sorológico. Se o número de animais infectados for baixo ele também recomenda o descarte, para evitar disseminação da doença.

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