Doença nova compromete a safra
Informação de que estaria ocorrendo uma virose transmitida por pulgão, em algodoais da região de Porecatu, no Norte do Estado, levou os pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) a fazer um alerta para a necessidade de rigoroso controle do pulgão, porque ele pode conduzir a um desastre quase total em muitas lavouras.
Eles descobriram, também, que o problema não se limita a Porecatu. A virose identificada nos algodoais, nesta safra, é conhecida como mosáico das nervuras-Ribeirão Bonito. Ela resultou, dizem os pesquisadores, de variedades não autorizadas pela pesquisa, que provocaram o expressivo aumento do inóculo da doença, até então de ocorrência irrelevante. Os especialistas calculam que as variedades suscetíveis à virose ocupam 10% da área paranaense de algodão. Como variedades cuja introdução no Estado não foi recomendada, eles apontam a Deltaline Acala 90, de origem norte-americana, e a ITA 90, derivada daquela. Essas variedades, afirmam os pesquisadores, seriam altamente suscetíveis à virose mosáico das nervuras-Ribeirão Bonito.
PotencializaçãoO princípio causador do mosáico das nervuras-Ribeirão Bonito era inexpressivo, mas a entrada de materiais clandestinos causou uma explosão desse inóculo, e variedades antes tolerantes passam a expressar a doença em níveis preocupantes.
Experimentos feitos pelo Iapar em Mato Grosso mostraram que a variedade ITA 90, por exemplo, é 4,2 vezes mais suscetível à virose do que a IAC 22, uma das variedades oficialmente recomendadas para o Estado do Paraná. Apesar disso, a IAC 22 é a principal variedade que estaria sofrendo ataque da virose na região de Porecatu. O engenheiro agrônomo Paulo Guerra, da Cooperativa de Cafeicultores de Porecatu (Cofercatu), informa que 2.000 hectares de algodão existentes na área da cooperativa, 1.200 ha são da IAC 22, 800 da Coodetec e apenas 30 ha de Delta Pine, cultivada mais como experiência. Nessas áreas, a primeira tem virose em diversos níveis de danos; a segunda - afirma Guerra - não tem o vírus e a terceira está totalmente infestada.
O agrônomo da Cofercatu diz que, constatada a virose, não há mais o que fazer. O vírus é transmitido pelo pulgão, que é difícil de controlar na seca, quando ele propaga-se mais. O pulgão vai-se espalhando nas lavouras e inoculando a doença nas plantas. Guerra calcula que no momento 30% do algodão plantado no município estão infectados.
Antes desta safra não havia informação de que a IAC 22 era suscetível ao vírus, segundo Paulo Guerra. Mas, o pesquisador Milton Fuzatto, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), disse-lhe que no ano passado fora constatado que a variedade também era sujeita à doença.
PrevençãoO controle da virose tem que ser preventivo, porém o entomologista Walter Jorge dos Santos, do Iapar, diz que, apesar das recomendações de controle do pulgão terem se tornado mais rigorosas nos últimos anos, a maior parte dos cotonicultores paranaenses estão acostumados a combater o pulgão como praga, não como vetor de doenças.
É preciso fazer um rigoroso controle do pulgão, porque ele pode conduzir a um desastre quase total em muitas lavouras. O ideal é não ter população facilmente visível no campo, destaca o entomologista. Ele reconhece que poucos produtores no Estado têm condições de atingir estes níveis requeridos, uma vez que tal procedimento implica em alternância de produtos químicos.
Os pesquisadores do Iapar informam que as altas temperaturas e a baixa umidade do ar têm sido desfavoráveis às aplicações de inseticidas. A chuva é inimiga do pulgão, mas tem chovido pouco, ou nada, em algumas regiões. Considerando que a maior parte das lavouras sofre com a estiagem, Walter Jorge recomenda que a aplicação de inseticidas seja feita ao amanhecer ou à noite.Mas - reconhece o pesquisador -, poucos agricultores reúnem condições econômicas e operacionais para procedimentos como esse.
Os pesquisadores Onaur Ruano e José Ricoy Pires, do Iapar, após lembrar que
em setembro do ano passado a instituição se manifestara contra a recomendação da variedade Deltapine Acala 90 para cultivo no Estado, acrescentaram que outros materiais, introduzidos no Brasil nas décadas de 60 e 70, visando o controle de doenças como mosáico da nervura, mosáico tardio, ramulose e mancha angular, só eliminadas pelo desenvolvimento, pelo IAC, de variedades nacionais resistentes.





