Doença está no Brasil desde 2001
A ferrugem asiática recebe esse nome porque ficou restrita àquele continente durante quase 100 anos. Foi identificada no Japão em 1902, chegou à China o grande produtor de soja da Ásia em 1940, e somente em 1996 é que foi vista na África. Do continente africano para a América do Sul a passagem foi rápida devido ao clima tropical. E na América, a porta de entrada foi o Paraguai, que tem uma vegetação nativa muito propícia para o fungo, o kudzu, que fica vivo o ano inteiro e assim permite que a praga sobreviva até a safra seguinte. Do Paraguai, onde a ferrugem apareceu em 2000, para o Brasil, foi um pulo.
Na safra 2001/02, o fungo atacou pela primeira vez as lavouras brasileiras e causou prejuízos no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul uma perda de 569 mil toneladas. Em 2002/03 estes Estados se precaveram e os prejuízos foram em Mato Grosso, Goiás, Minas e Bahia quebra de 3,4 milhões de toneladas. E na safra 2003/04 a ferrugem atacou o Brasil inteiro, com exceção de Rondônia, e houve perdas generalizadas novamente em Mato Grosso, Goiás e Minas, alcançando a marca assutadora de 4,6 milhões de toneladas. Foi quando o governo entrou na cruzada contra a doença.
Porém, justamente na 2004/05 a ferrugem não atacou as lavouras porque houve um longo período de seca. ''O que favorece a ferrugem é a umidade, a temperatura amena e chuvas bem distribuídas, justamente as características do clima tropical. Por isso os ataques têm sido maiores no Centro-Oeste. Mas como este ano choveu pouco, o fungo não conseguiu de desenvolver'', explica a fitopatologista Cláudia Godoy.(J.K.)





