Documento aponta risco ambiental
Avaliar o efeito dos transgênicos sobre o ambiente é mais complicado do que sobre a saúde, já que as condições podem variar muito de uma região para outra. ''O impacto ambiental de cultivos geneticamente transformados pode ser positivo ou negativo, dependendo de como e onde eles são usados'', aponta a FAO.
Também nesse caso, muitos dos riscos levantados já existem na agricultura convencional, como o surgimento de ervas daninhas e insetos com resistência elevada a pesticidas (as chamadas ''superpragas''), a transferência de genes para plantas silvestres ou convencionais (fluxo gênico) e possíveis efeitos negativos sobre espécies não alvo (ameaça à biodiversidade).
''Embora os cientistas tenham visões diferentes sobre esses riscos, eles concordam que os impactos ambientais precisam ser avaliados caso a caso e recomendam monitoramento ecológico pós-liberação para detectar qualquer evento inesperado'', explica o relatório. ''Agricultura de qualquer tipo - subsistência, orgânica ou intensiva - afeta o meio ambiente, portanto é natural esperar que o uso de novas tecnologias genéticas na agricultura também afetará o meio ambiente.''
Segundo a FAO, não há dúvida de que plantas transgênicas - assim como quaisquer outras - podem cruzar com parentes silvestres e suas similares convencionais. Pesquisadores ainda debatem, porém, se isso representa algum problema, já que o fluxo gênico é um fenômeno natural e as características genéticas dos transgênicos dificilmente ofereceriam alguma vantagem evolutiva para plantas fora do ambiente agrícola.
Conclusão - ''Até agora, naqueles países em que variedades transgênicas são cultivadas, não há nenhum relato confirmado de qualquer dano significativo à saúde ou ao meio ambiente'', conclui o relatório. ''Pelo contrário, benefícios ambientais e sociais importantes estão emergindo. Fazendeiros estão usando menos pesticidas e estão substituindo produtos químicos tóxicos por outros menos perigosos. Como resultado, trabalhadores rurais e recursos hídricos são protegidos de venenos e insetos benéficos e pássaros estão voltando aos campos dos fazendeiros.''
''Entretanto, a falta de efeitos negativos observados até agora não significa que eles não possam ocorrer e cientistas concordam que nosso conhecimento sobre processos de segurança alimentar e ecológica é incompleto. Muito ainda é desconhecido. Segurança completa nunca pode ser garantida, e os sistemas regulatórios e as pessoas que os gerenciam não são perfeitos.'' (Agência Estado).





