Foi realizado essa semana em Jacarezinho um dos maiores eventos da cafeicultura do Estado. A Ficafé 2009 - Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro - tem por objetivo aproximar produtores e compradores de produtos especiais. Nesta edição 30 expositores de diversos segmentos participaram da feira.
Logo no início da manhã da última quinta-feira, quando começou a feira, as negociações foram bastante positivas e os expositores comercializaram os primeiros lotes de café especial. O Empório Café da Casa adquiriu dois lotes ao custo de R$ 748 e R$ 700. A empresa Café Suplicy de São Paulo negociou lotes por R$ 600. Nesta edição, estavam disponíveis cerca de 55 lotes de cafés especiais, com notas que variavam de 80 a 85, de acordo com a classificação da Specialty Coffee Association of America (SCAA) e fragrâncias floral cítrico, caramelo, chocolate e amanteigado. O evento terminou ontem.
Luiz Fernando de Andrade Leite, presidente da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp), realizadora do evento junto com o Sebrae/PR, ressaltou que a edição 2009 triplicou em relação ao ano passado. Ele destacou ainda que o Programa Cafés Especiais do Norte Pioneiro trouxe uma mudança de conceitos, ação que teve início há três anos e motivou a criação da Acenpp. ''Com o Programa, a região norte do Paraná passou a ser conhecida, houve um aumento no número de projetos, e, com isso, a nossa responsabilidade aumentou também'', disse.
O presidente da entidade citou conquistas do grupo este ano, como a fundação de uma Central de Compras, o pedido de registro de indicação geográfica do norte pioneiro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a conquista da Certificação 4C, o que significa para ele o primeiro passo para a sustentabilidade da produção e o ponto de partida para a aquisição de novas certificações.
Para Andrade Leite, além de instrumento de marketing, a Ficafé representa uma vitrine de inovação tecnológica e um espaço para a realização de negócios. ''Tendo em vista que grande parte dos produtores da região possui pequenas propriedades, é necessário e urgente que sejam disponibilizadas linhas de crédito para que esses produtores tenham acesso à tecnologia'', frisou.
O presidente da Acenpp ainda apelou para os organizadores de concursos de qualidade de cafés que diminuam a exigência de sacas mínimas para participação nessas premiações, lembrando que produtores da região produzem pequenas quantidades de excelentes cafés, mas ficam impedidos de participar dessas competições.
O ministro da agricultura, Reinhold Stephanes prestigiou o evento na quinta-feira. Em relação à cafeicultura, o ministro disse haver posições divergentes no País. O problema do café no Brasil, segundo ele, é que o País é o maior produtor do mundo, mas não forma o preço do café. ''Quem forma preço são os países consumidores. O governo se mostra incompetente porque não dá sustentação de preço ao produtor de café na hora certa. A fim de melhorar a atividade, tomamos três medidas: a prorrogação das dívidas a juros baixos, linhas de financiamento na hora adequada e a retirada do mercado de 10 milhões de sacas de café entre 2009 e 2010 para normalizar os estoques'', anunciou o ministro.
O Paraná, conforme dados da Ficafé, se destaca como um dos principais produtores de café do País em 2009, com mais de 158 mil toneladas de grãos. O Norte Pioneiro paranaense é responsável pela colheita de aproximadamente 50% do total. Atualmente, a região conta com 7,5 mil produtores de pequenas propriedades, distribuídos em 45 municípios.

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