Do campo vem a esperança
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
2008 foi um ano de extremos para o agronegócio. Ano de cotações recordes e de fortes quedas, sinais de um mercado extremamente volátil e suscetível às variações da economia mundial. Se este ano não está sendo encerrado de maneira tão positiva quanto começou, as projeções de especialistas ouvidos pela FOLHA indicam que o cenário pode melhorar a partir de março, ainda que não atinja os níveis de preços alcançados até meados deste ano. Além disso, a apreciação do dólar frente ao real não deve elevar mais os custos de produção puxados pela queda na cotação do petróleo.
Em janeiro os números apontavam para um crescimento da demanda mundial por alimentos, alavancada por fatores como o aumento da renda da população mundial e da demanda pela energia limpa. No entanto, com o estouro da crise financeira global (desencadeada em setembro) foi revelado também que especuladores estavam no mercado das commodities agrícolas, o que estava elevando os preços. Com a saída destes agentes, os preços caíram. Além disso, este foi um ano de boa produção, elevando a oferta e os estoques mundiais em detrimento da demanda.
A decisão de plantio desta safra (2008/09) foi tomada pelos produtores a partir da expectativa de preços, meios de comercialização, necessidade de rotação de culturas, capital fixo disponível e disponibilidade de crédito, entre outros fatores, para verificar qual a cultura apresenta a expectativa de maior rentabilidade. ''Considerando estes fatores, o reflexo está nas estimativas dos órgãos oficiais divulgadas recentemente. O fato é que para a maioria das atividades, os produtores investiram menos em fertilizantes, por exemplo'', avalia Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/USP).
Por enquanto 2009 é um ano de incertezas. Ainda não se sabe a extensão da crise financeira global e como ela irá afetar o restante da economia. Ainda que a queda de preços chegue mais devagar aos alimentos já há o aumento do desemprego no mundo. Projeções preliminares indicam reação nos preços da carne bovina e do frango a partir de março. Já as cotações dos grãos devem melhorar a partir do segundo semestre, quando o cenário já deverá estar desenhado.


