Do biodiesel à lubrificantes para a aeronáutica
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Incentivada pelo governo Federal como mais uma fonte para a produção de biodiesel, a mamona tornou-se mais do que uma opção de diversificação de renda para o agropecuarista Eduardo Pitelli. Para aprender a lidar com a cultura, o produtor destinou 10 alqueires de sua fazenda em Jataizinho ( para o cultivo da planta. Em seis meses, não precisou fazer nenhuma intervenção na lavoura, que rendeu duas colheitas.
Impulsionado pelos bons resultados da mamoneira em Jataizinho, Pitelli investiu na cultura em outros 60 alqueires de uma propriedade arrendada pela família em Teodoro Sampaio, interior de São Paulo. ''Começamos com 60 e já estamos com 160 alqueires plantados. A nossa meta é aumentar a área para 400 alqueires na próxima safra'', diz.
O motivo de tanto entusiasmo, explica o produtor, é o baixo custo de produção, a rusticidade da planta e a renda garantida pela assinatura de contratos prévios de venda do produto. ''A seca nos impediu de plantar a soja e como a área ia ficar descoberta, resolvemos investir na diversificação. E deu muito certo'', afirma.
Toda a produção de mamona já tem mercado garantido: indústrias de óleo de São Paulo e também do Paraná. O agropecuarista ressalta que parte da produção será entregue a uma empresa de Cornélio Procópio, que pagará R$ 36/saca. O restante da mamona será descascado e vendido em São Paulo. Neste caso, o produtor preferiu agregar valor ao produto, que será comercializado a R$ 48/saca.
Segundo Pitelli, o investimento na compra da máquina para descascar é baixo, cerca de R$ 12 mil. ''Com a colheita já seria possível adquirir a máquina'', calcula. Entretanto, o produtor ainda não decidiu se irá comprar o equipamento ou terceirizar o serviço. ''Estou pensando em negociar um novo preço com a empresa que irá comprar a produção'', completa.
Apesar do sucesso da experiência, o agropecuarista reclama da falta de informações quanto a um novo sistema de produção. ''Muita coisa mudou em relação ao plantio da mamona. As variedades e o manejo são diferentes dos praticados antigamente, mas ninguém sabe ao certo como funciona este novo sistema produtivo. Tivemos de aprender com a prática'', assinala Pitelli.


