Diversificar faz parte da história
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de abril de 1998
Jota Oliveira 
A 1ª Exposição Pecuária de Londrina foi aberta no dia 23 de julho de 1955, quando a Folha publicou entrevista com um ruralista que fazia análise profética: ...o futuro do Brasil está na pecuária...O café vem encontrando percalços, razão por que devemos, paralelamente com o cultivo, também criar gado.
Nelorista, o produtor Antônio de Castro Magalhães, de Cornélio Procópio, foi um dos poucos participantes daquela primeira exposição. Em entrevista ao jornal ele comentava ainda, com acerto: Se o governo se interessasse pelos mercados externos, poderíamos multiplicar nossa exportação de reprodutores. Magalhães sugeria que nas futuras exposições fossem incluídos leilões de gado, como já estava acontecendo em algumas mostras paulistas.
José de Oliveira Rocha, cartorário em Londrina, escrevia regularmente na Folha. No dia 5/7/55 ele falava da Exposição que seria inaugurada naquele mês, graças aos esforços da Associação Rural. No artigo, Rocha falava das possibilidades que o Sul do Paraná oferecia à pecuária em seus campos, mas ressalvava: ...enquanto o Norte cuida do seu café. Baseando-se em informações do Departamento de Produção Animal da Secretaria da Agricultura do Estado, o articulista comentava em seguida que o Paraná era um dos Estados do Brasil de pecuária mais fraca e de menor rebanho...
A premonição do produtor Antônio de Castro Magalhães confirmou-se, e o boi acabou entrando mesmo no lugar de muito pé de café. E a realidade atual não é mais como apresentava em 55 o articulista José de Oliveira Rocha. Agora a pecuária paranaense é, além de forte economicamente, uma das líderes em qualidade no Brasil, como se pode ver na Exposição Agropecuária.
Nasce a ExposiçãoEm 1955 o presidente da Associação Rural de Londrina, Antônio Fernandes Sobrinho, vai ao Rio de Janeiro, convidar o Ministro da Agricultura, Bento Munhoz da Rocha Neto, para visitar a exposição agrícola que a comunidade de origem japonesa promovia com apoio da entidade ruralista. Bento, que fora governador do Estado, sugere que o Paraná pense na diversificação agrícola, partindo para a pecuária. Nasce na hora a idéia da exposição pecuária, e Bento destina uma verba para as despesas de organização dessa mostra.
Voltando a Londrina, Fernandes Sobrinho põe-se a organizar a exposição, mas encontra a resistência dos associados, em sua maioria cafeicultores. Os veterinários Carmo Rocha, da Secretaria da Agricultura; Leopoldo Meyer e Silvino Alqueres Batista, do Ministério da Agricultura, são convidados para arregimentar os pecuaristas. Estes desculpam-se, alegando falta de tempo para preparar os animais. Surge então a liderança de Celso Garcia Cid (pai do atual presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, presidente licenciado da Sociedade Rural do Paraná), que consegue despertar a atenção dos pecuaristas.
Entre os primeiros expositores, o jornal publicou, no dia seguinte à inauguração, à qual compareceu o governador Adolfo de Oliveira Franco, os nomes de Celso Garcia Cid, Oswald Nixdorf, Silvino Alqueres, Batista, Vinícius Ferreira, Conrado Rugái, José Alves da Rocha Loures, Arnoldo Bulle, José Mendes Neto, Oscavo Gomes dos Santos, João Elias Abdala, Itamar Gomes de Araújo, Antônio de Castro Magalhães e Humberto Barros. Estes criavam equinos mangalarga, bovinos holandês, indubrasil e nelore.
O jornalista João Milanez, fundador da Folha, recorda que a Exposição Pecuária foi instalada no terreno do Jóquei Clube, onde não havia pavilhões cobertos, para o gado, e os animais eram amarrados em eucaliptos. O Parque de Exposições Governador Ney Braga, sede das modernas exposições agropecuárias de Londrina, foi inaugurado em 16 de fevereiro de 1964. Em 1955 a 1ª Exposição Pecuária e a 3º Exposição Agrícola foram abertas no mesmo dia. A primeira, no Jóquei Clube; a segunda, no Mercado Municipal do Shangri-Lá.


