O lugar do feijão no agronegócio, seus maiores produtores, exportadores e importadores, além da produção brasileira do grão foram temas de palestras realizadas durante o Congresso Nacional de Pesquisa de Feijão (Conafe), que terminou esta semana, em Londrina.
De acordo com Alcido Elenor Wander, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Argentina, Estados Unidos e Canadá exportam muito feijão branco, preto, entre outras variedades. "Produzem e basicamente exportam a produção, diferente de nós, que não conseguimos exportar nosso feijão", comenta. Segundo ele, porque o feijão carioquinha é uma variedade tipicamente brasileira. "Tem produtor que estoca feijão em casa. Depender de um único tipo do produto, sem possibilidade de exportação, elimina qualquer possibilidade de ter supersafra", afirma.
Conforme o corretor Marcelo Eduardo Luders, institutos de pesquisa do País já observaram que nos últimos dez anos o comportamento do consumidor quanto ao consumo do grão também mudou. Feijão recém-colhido, explicou, tem destino certo na mesa dos consumidores, nem que seja pelo dobro do preço do feijão "mais velho". "A população aceita pagar R$ 5 em um feijão mais branco, novo, mas não compra um mais barato, porém de 60 dias", comentou. O excedente torna-se, então, problema para o produtor, que se vê obrigado a usá-lo, entre outras coisas, como ração animal.
As saídas para o impasse brasileiro "não são muitas", na opinião de Luders. Ele cita pelo menos três: a diversificação de produção, que derrubaria os preços do feijão carioca, a compra do excedente pelo governo – e o destino dele basicamente para ração animal – ou a aposta do País na industrialização das leguminosas – produção do feijão "ready to eat" (pronto para comer), enlatado e válido por até três anos. A alternativa, diz, seria tão saudável quanto o consumo tradicional do feijão, embora os custos da produção sejam maiores.
Diversificar a produção com outras variedades da leguminosa seria ainda mais produtivo para o Paraná. Embora o Estado seja o maior produtor nacional do feijão, a qualidade do produto não é referência nacional. "Variações climáticas, para o carioca, não são muito toleráveis. Os feijões preto ou vermelho poderiam ter melhor desempenho aqui", declara Luders.

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