Diversificação deve ser limitada
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sábado, 20 de janeiro de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
É preciso dar atenção às exigências básicas das culturas. Existe um limite máximo para diversificacão economicamente viável. A partir desse ponto o agricultor começa a perder eficiência no que ele está fazendo, afirma o engenheiro-agrônomo Luís Geraldo de Carvalho Santos, consultor em agricultura orgânica e diretor técnico da Horta & Arte, de São Roque, SP uma produtora e distribuidora de hortaliças orgânicas na Grande São Paulo.
O agrônomo diz que existe um limite ecológico mínimo, exigido pela natureza, que é para melhorar o controle de pragas, a saúde do solo; o desennvolvimento e o aproveitamento dos nutrientes.
MatasEm volta dos sítios orgânicos tem sempre um matinho. Luís Geraldo explica que os sitiantes conseguiram diminuir a diversificação, a ponto da propriedade ser viável, porque temos o privilégio de possuir sempre matas ciliares ou reservas naturais ao redor ou dentro da propriedade.
Por ter uma topografia acidentada, a região da Grande São Paulo possui muita reserva secundária, mas tem bastante reserva natural. Este é requisito básico, porque os inimigos naturais saem de dentro da floresta e vão comer as pragas na lavoura. Significa um nível de sanidade muito alto naquela lavoura, porque o sitiante consegue manter a cultura no limpo. Isto é importante, porque é uma vantagem para a planta ter um bom desenvolvimento. Se não existem as matas, o lavrador tem que deixar as plantas sujas no meio do mato e se não tem solo com a fertilidade alta, a produção cai demais.
No sítio de João Dias, município de Ibiúna, ele tem uma diversificação bem equilibrada, com eficiência. Ele cultiva alface americano, brócolis, milho verde e tomate. O tomate é semeado em agosto e dezembro. É semeado duas vezes por ano, porque só há duas épocas específicas para plantio dessa hortaliça, enquanto pode-se plantar alface americana e brócolis o ano inteiro.
Por semana, e não por área, João Dias produz 2.000 maços de brócolis e 20 mil mil de pés de alface americano, durante todas as semanas do ano 48 semanas. Do tomate, ele produz duas vezes de 4,5 a 7,5 kg por hectare. A produtividade do milho verde varia muito. É colhido apenas em uma época do ano. João Dias colhe de 700 a 800 caixas de hortaliças por semana, entre brócolis, alface, milho e tomate. Agora ele está montando estufas.
É uma propriedade familiar, onde trabalham, além de João Dias, sua mulher e dois filhos; uma filha ajuda no acompanhamento de análise do solo para aferição do pH; do condutivímetro, que verifica a condutividade de água, do solo, temperaturas mínimas e máximas diárias.
Ela passa todas as informações no computador. De quinze em quinze dias Luís Geraldo visita o sítio e deixa as recomendações no computador de João Dias, que aplica as recomendações.
O agrônomo diz que a rotação de culturas é importante no sítio e o lavrador usa o sistema de adubação verde no alface americano, brócolis e milho. Depois, recomeça com alface e milho verde. Entra também tomate, em algum lugar da rotação, dependendo da época do ano.
O futuroSegundo espera o agrônomo Luís Geraldo, a agricultura orgânica deve crescer a ponto de ser hegemônica no prazo de 15 a 20 anos. Em hortaliças no Brasil, no final de 10 anos a orgânica deve ser a maior parte das hortaliças. Em São Paulo, no máxinmo em 5 anos, nos supermercados, as hortaliças folhosas serão todas orgânicas.
A demanda por parte do consumidor, a disposição de grandes redes de supermercados, identificaram essa necessidade do consumidor. Por exemplo, a grande produção de hortaliças no Estado de São Paulo, baseada em regiões de água, seja de Ibiúna, Mogi das Cruzes ou Campinas (todas são cabeceiras-mananciais de afluentes do Tietê).
São Paulo está com projeto de microbacias, visando a conservação dos solos, porque o problema da área tende a se agravar. Para abastecer a Capital e as cidades-satélites do Interior, como Itu, que é importante produtor de algumas hortaliças (couve-flor, repolho e tomate), já começa a ficar sem água. Nos últimos dois anos o município teve problemas de abastecimento de água na seca.
Isso reforça a necessidade de se ter um projeto determinnado a recuperar e manter esses mananciais. Já existe uma clareza de que a agricultura orgânica cumpre um papel importante com relação a isso. Quando a gente percebe que há uma sensibilidade política; que o mercado já passou a se impor e só receber a produção orgânica.
Supermercados como Pão de Açúcar, a segunda maior rede do País, anuncia que dentro de 5 anos estará vendendo só hortaliças orgânicas. Isto significa que já foi identificada uma tendência de mercado, observa o agrônomo.
Mas, ele ressalva que a sobrevivência do produtor não vai depender dessa tendência de mercado; vai depender dele ter muita consciência de que a produção de hortaliças é feita em períodos curtos. Se não se considerar isso, pode-se reter uma produção caótica e se não houver esforço do agricultor, que tem um mercado organizado, vai acontecer como a produção do convencional: hoje, praticamente, só os grandes produzem hortaliças convencionais e os pequenos foram alijados do processo.
Nos municípios tradicionalmente produtores de hortaliças, como Mogi das Cruzes, Ibiúna e Piedade, sobraram apenas os grandes horticultores, coisa de 100 ha de alface, 50 ha de cenoura, mais de 200 ha de batata. Então, praticamente a pequena produção dessas hortaliças está fora do processo, porque os produtores são desorganizados. Esse processo que ocorreu no convencional, pode acontecer no orgânico, a não ser que estejam competentemente organizados na produção, na distribuição e em seguir normas de produção, acrescenta o técnico
Se o horticultor orgânico não tiver força de negociação com as grandes redes de supermercados ou outros canais de comercialização, ele não desfrutará da primeira vantagem que esse mercado oferece que pode ser uma coisa muito boa para o meio ambiente e também para o produtor, mas depende da consciência do produtor com relação a isso.


