Diversificação com rentabilidade
Curitiba O cultivo de ervas medicinais foi a solução encontrada há cerca de 14 anos pelo então agricultor Estefano Dranka, de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) para obter rentabilidade de uma pequena propriedade herdada do pai. Cansado da atividade paterna que só acumulava prejuízos com o plantio de milho e batata, Dranka decidiu inovar, motivado pela curiosidade de extrair plantas nativas para uso medicinal.
Bem sucedido, Dranka passou da condição de produtor para industrial. Hoje ele mantém a propriedade paterna onde ainda cultiva ervas medicinais mas dedica a maior parte de seu tempo às atividades de processamento e beneficiamento das ervas em cápsulas ou chás em pacotes. A matéria prima é obtida por meio de parcerias com outros produtores.
Entre propriedade própria e arrendadas, o carro-chefe do cultivo é a camomila, com 40 alqueires plantados por ano, seguido da espinheira santa (20 alqueires) e da erva ginkgo biloba (cinco alqueires). Ervas como alcachofra, calêndula, dente de leão, alecrim, salvia, capim-limão, melissa, tomilho, bardana, poejo e outras ocupam um espaço de 10 alqueires.
No total, Dranka cultiva em parceria com outros produtores mais de 120 tipos de ervas, sendo que desse total 60% correspondem a ervas nativas da região Sul do País. Seu maior orgulho é com o cultivo de espinheira santa, uma erva nativa do Paraná e Santa Catarina que está em risco de extinção. O agricultor disse que é um dos pioneiros no cultivo da planta e demorou sete anos para adaptá-la. Hoje produz 260 mil pés por ano e já é um fornecedor de mudas,''o que a livra da extinção'', acredita.
A espinheira santa é uma erva bastante procurada em função de sua indicação para uso medicinal em mais de quatro tipos de úlceras do estômago e gastrite. Ela já vem sendo consumida por muitos laboratórios para fabricação de medicamentos, após comprovação científica dos seus benefícios terapêuticos. ''É uma das plantas do Paraná que já tem registro como medicamento'', disse o produtor.
Dranka avisa que o cultivo de ervas medicinais e aromáticas é um investimento a longo prazo e o retorno do investimento ocorre após o terceiro ano de plantio. Como as frutíferas, essas plantas atingem a produção máxima no sexto ano de plantio para depois atingir a estabilidade de produção. A vantagem é que essas plantas são indicadas para o plantio em áreas de proteção ambiental como mananciais e ainda dão uma lucratividade. (V.C.)





