Diversidade na tecnologia usada
Dorico da SilvaExuberânciaLavoura de trigo no Norte do Paraná (região de Londrina)Os pesquisadores da Embrapa e do Iapar, Dionísio Bruneta, Sérgio R. Dotto e Carlos R. Riede percorreram, na última semana, lavouras de trigo do Norte do Estado, com o objetivo de verificar a situação da cultura e identificar os principais problemas que estão ocorrendo na safra atual.
A constatação mais importante é a grande diversidade de padrões tecnológicos entre as lavouras visitadas. Há lavouras exuberantes, em excelentes condições, cujo potencial produtivo situa-se acima dos 3 mil kg/ha. Ao lado dessas lavouras são vistos trigais que apresentam desenvolvimento desuniforme, com sintomas característicos de deficiência nutricional, com produtividade comprometida.
As lavouras em melhores condições são as que foram semeadas em abril, pelo sisema de plantio direto, que tiveram emergência uniforme. Estão em boa situação os agricultores que, por terem adotado o sistema de semeadura direta, obtiveram boa emergência em suas lavouras durante o mês de abril e meados de maio, e fizeram adubação adequada. A situação desses agricultores é privilegiada, principalmente se as condições climáticas, nos próximos 60 dias, forem normais.
DoençasSegundo Brunetta, Dotto e Riede, devido ao excesso de chuvas no mês de junho, a incidência de moléstias neste ano é maior que a verificada nas últimas safras. No entanto, a maioria das lavouras encontra-se em bom estado fitossanitário. Verifica-se a presença de manchas foliares em diversas lavouras, principalmente onde havia palha de trigo da safra anterior. Por outro lado, em lavouras cultivadas no sistema de rotação de culturas, mesmo em semeadura direta, não foram oboservadas manchas foliares causadas por helmintosporiose.
Lavouras que espigaram em junho, no príodo chuvoso, apresentam plantas com giberela. Esta doença não é muito comum na região Norte do Estado e não deverá causar maiores prejuízos, a não ser que chova durante vários dias, com temperaturas elevadas na época do florescimento.
Diversas cultivares estão sendo utilizadas pelos agricultores este ano. A diversificação de cultivares é um fator positivo, pois elas apresentam características agronômicas distintas e se comportam de maneira diferente também em relação às principais doenças.
O oídio está ocorrendo em níveis mais elevados nas cultivares suscetíveis e semeadas no final da época recomendada. Foi observada a presença de ferrugem da folha em diversas lavouras. Algumas cultivares são suscetíveis a esta doença. Entre elas destaca-se a Iapar 53. Em alguns casos, há necessidade de acompanhamento técnico, visando definir os cuidados fitossanitários necessários.
Em duas lavouras, distantes aproximadamente 80 quilômetros, foi constatada a presença de ferrugem do colmo. Esta moléstia se encontrava praticamente ausente das lavouras do Norte do Estado há cerca de dez anos. A incidência ainda é pequena. Os pesquisadores sugeriram aos agricultores que fiquem alertas, tendo em vista que algumas variedades são suscetíveis a essa doença. E como este ano o trigo foi semeado mais tarde, há possibilidade da doença se alastrar com a elevação da temperatura.
Segundo ainda os pesquisadores, devido à falta de chuva no período preferencial de semeadura neste ano, algumas lavouras apresentaram emergência desuniforme, repetindo em parte os problemas da safra anterior. Como existem nessas lavouras plantas com diferença de ciclo de até 30 dias, podem ocorrer dificuldades na colheita, com possibilidade de perdas por debulha ou pela presença de grãos imaturos, que exigirão maiores cuidados na secagem.
A pesquisa vem alertando, há tempos, para a necessidade de se fazer a semeadura em solos com boas condições de umidade. Vale a pena não arriscar a semeadura no pó e aguardar até que ocorram chuvas suficientes para emergência uniforme das plantas. A semeadura direta ajuda muito neste caso.
Não há como deixar de perceber que as melhores lavouras de trigo são de agricultores que planejaram a instalação e seguiram as recomendações básicas quanto à escolha das cultivares, época e condições de semeadura, manejo do solo e aplicação coreta de fertilizantes.
FertilizantesNas lavouras de menor potencial observa-se claramente que algo falhou entre o planejamento e a sua implantação. Devido a fatores de mercado, muitos agricultores ficam temerosos e utilizam fertilizantes abaixo da necessidade para se obter uma produção satisfatória.
O resultado é que se gasta muito com sementes e outros itens de custeio e pouco com fertilizantes. Se o potencial das lavouras estiver comprometido, a aplicação de fungicidas torna-se mais cara, pois se gasta o mesmo valor para o controle das doenças de uma lavoura com potencial de 1.500 kg/ha e de outra cujo potencial é superior a 3 mil kg/ha.
Os pesquisadores ressaltam, também, que entre as lavouras em estado mais precário encontram-se algumas semeadas onde havia sido plantado milho-safrinha que, devido à seca, foi eliminado para dar lugar ao trigo. Estas lavouras plantadas às pressas têm menor possibilidade de apresentar bons resultados. Os pesquisadores concluem que o trigo ainda é a espécie com grande demanda de mercado que apresenta os menores riscos de perdas por fatores climáticos.





