Distúrbio fisiológico - Clima tira café do seu ciclo normal
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de novembro de 2002
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
Inverno chuvoso, com temperaturas muito altas para a época; em seguida, longo período seco e de forte calor. O clima irregular desde segundo trimestre do ano favoreceu o desenvolvimento vegetativo da planta que emitiu frutos antes da época normal.
A desuniformidade é flagrante: há plantas que, na mesma haste, apresentam todos os estágios: há botões florais, flores abertas, grão chumbinho, na fase de enchimento, e grãos verdes, praticamente cheios que vão entrar logo na fase de maturação.
No Paraná, como poucas vezes na história de sua cafeicultura, vamos ter colheita em janeiro - previram esta semana alguns comerciantes, preocupados que isto possa implicar em perda de qualidade. Eles recebem informações dos próprios agricultores.
Maquinistas também reclamaram da desuniformidade na produção da próxima safra, prevendo que o produtor terá muito trabalho. Ou, então, o produto sofrerá depreciação. Tudo isso com base nas condições atuais plantas e uma avaliação empírica, visual, porém verdadeira.
Para o corretor Marcos Bacetti, isto acaba sendo positivo: se a colheita seletiva é recomendada para melhorar a qualidade, agora é que o agricultor vai ter que caprichar ainda mais na catação. Bom para ele, bom para o mercado.
A Folha Rural foi ouvir especialistas no assunto. Francisco Barbosa, do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, não vê o fenômeno como problema.
Barbosa, que é engenheiro agrônomo, pesquisador e produtor, explica que a alteração no comportamento da planta foi causada pelo veranico entre março e maio. Isto fez com que esse período ficasse semelhante ao período compreendido entre julho e agosto. Esse comportamento do clima tirou a planta do seu ciclo normal.
Mas, para as condições do Paraná, isso não chega a ser excepcional, segundo Babosa. Ocorre principalmente em cafeeiros jovens.


