Disposição em mudar
Como uma pequena propriedade pode ser lucrativa a ponto de proporcionar melhora no nível de vida do produtor? A pergunta é do pesquisador da Embrapa Sudeste, de São Carlos (SP), Artur Chinelato, que também estará falando aos produtores do encontro em Jacarezinho.
O pesquisador questiona que áreas de até 30 hectares (ha), com reduzida escala de produção (até 100 litros diários), rebanho diminuto (até 20 vacas), falta de recursos para financiamento a prazos compatíveis com a atividade, preço baixo do litro de leite (R$0,20), têm uma tendência a desaparecer.
Força de vontade O pequeno produtor desaparecerá? O que é um pequeno produtor de leite? Existem vários parâmetros para se definir um pequeno, um médio e um grande produtor: escala de produção (mais comum), tamanho da propriedade, produtividade do rebanho (produção/vaca/ano), produtividade da terra (produção/ha/ano), lucratividade (lucro/ha/ano), conta corrente e muitos outros.
O critério que Chinelato utiliza é a disposição de mudar e progredir. Nesta classificação, garante que só existem pequenos e grandes produtores. Em 10 minutos de conversa, descobre-se em que categoria ele se encaixa. Se reclama e vê dificuldade em tudo; acha que já entende do assunto mais do que qualquer outra pessoa, este produtor, no meu critério, seria considerado como pequeno, estando fadado ao desaparecimento.
Apesar das dificuldades, garante o pesquisador, sendo maiores numa propriedade pequena, com rebanho reduzido, média baixa e sem capital, o produtor que quer mudar o rumo dos acontecimentos, tomando as rédeas de seu destino, seria considerado como grande.
Exploração racional Ele recomenda que pequenas propriedades explorem ao máximo o potencial das forrageiras, considerando que o investimento em implementos para a confecção de silagem de milho representaria um desembolso impensável para a maioria dos produtores de leite.
A melhor opção, aconselha Chinelato, seria usar pastagens no período das águas (outubro a março na região do Brasil Central) e cana-de-açúcar no período das secas (abril a setembro) em regiões isentas ou com pouco risco de geadas. Em regiões de maior risco, localizar o canavial na propriedade em áreas menos suscetíveis, ou trabalhar com silagens. (C.B.)





