Carlos Kamiguchi, produtor na região de Mauá da Serra (Norte), realizou por muito tempo, em sua propriedade, o controle de lagartas em soja com o Baculovírus. Segundo ele, como era um vírus específico, as pragas secundárias começaram a ganhar destaque e isso fez com que ele aumentasse as aplicações de inseticidas.
"Hoje as lagartas são mais resistentes, por isso não praticamos o controle biológico em nossa região", observa o produtor. Ele destaca que a maior dificuldade na implantação desse sistema é a disponibilidade de material biológico. "Em grande quantidade é difícil manusear", salienta. Kamiguchi completa que se tivesse uma produção maior dos organismos biológicos, adotaria o método. Atualmente, a área em produção de Kamiguchi chega a 340 hectares, sendo a soja o carro-chefe nas safras de verão.

Apoio cooperativista
O controle biológico foi muito difundido na década de 1980, mas depois deu uma desacelerada, explica Robson Mafiolette, engenheiro agrônomo da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Para o especialista, é preciso fomentar a adoção do controle biológico e reduzir as pulverizações com defensivos agrícolas, com a adoção do manejo integrado de pragas.
"O Estado precisa ter um processo para estruturar a produção, por exemplo, do Baculovírus", completa. Contudo, Mafiolette enfatiza que os produtores não têm muita confiança em relação à eficácia do controle biológico. O especialista conta que nos últimos anos, os preços e a produtividade das commodities se elevaram, por isso os agricultores desistiram de se "arriscar" na técnica.
Com medo de perder a produção, Mafiolette destaca que muitos produtores preferem fazer a aplicação preventiva de defensivos agrícolas. "Precisamos discutir e informar os produtores sobre o funcionamento do processo." Para resolver a questão relacionada à falta de matéria-prima, o agrônomo sugere que a produção desses materiais biológicos seja realizada em escala industrial. (R.M.)

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