Discutindo tecnologia
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sexta-feira, 30 de julho de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Transferir a tecnologia produzida pelos órgãos de pesquisa aos produtores rurais de forma rápida e direta é o objetivo da Expotécnica, que ocorre há onze anos em Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina). Em sua última edição, realizada esta semana, o evento reuniu cerca de três mil pequenos produtores no sítio São José para dois dias de dinâmicas em campo e sobre máquinas.
Para o implementador regional do Programa Grãos da Emater, Nelson Harger, a difusão de informações entre os próprios agricultores é fundamental para o avanço das propriedades rurais, proporcionando ganhos de produtividade e rentabilidade. ''A região noroeste do Estado, que antes era considerada marginal, hoje é referência em transferência de tecnologia'', disse.
O pesquisador da Embrapa Soja Luis Cesar Vieira Tavares concorda: ''A troca de informações entre pesquisadores e agricultores que ocorre durante a mostra é fundamental para a transferência de tecnologia, já que uma nova cultivar só chega ao produtor até 12 anos depois de ser descoberta pelas entidades de pesquisa.''
Incentivo ao plantio direto e ao uso do sistema de rotação de culturas também é uma importante função da mostra tecnológica, que contou com 15 estações experimentais e 28 amostras de cultivares de trigo, entre elas, o lançamento da Embrapa, a BRS 229.
Segundo Tavares, o novo cultivar apresenta boa tolerância ao brusone, um fungo que afeta o trigo em sua fase de espigamento. ''Se plantado muito cedo, sob alta temperatura e umidade, o índice de perdas por ataque de brusone pode chegar a até 40% na lavoura de trigo'', calculou.
O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) Otmar Rubner aponta que o brusone era comum nas lavouras de arroz antes de atingir as plantações de trigo na década de 90. ''O brusone é uma doença crítica e de difícil controle que tem grande incidência na região norte do Estado. O desenvolvimento de novos cultivares, mais resistente, é uma das melhores formas de controle'', declarou.
Aplicação Eduardo Sudak possui 12 alqueires na região de Sabáudia, onde cultiva soja, milho e trigo. Depois de combinar três diferentes variedades de trigo na safra de inverno, incrementou sua produtividade e diminuiu os custos de produção monitorando a lavoura.
''Hoje temos acesso a diferentes tecnologias e só não as usa quem não quer'', afirmou o produtor, que espera obter uma produtividade de 150 sacas/alqueire na colheita do trigo. Com o monitoramento e a aplicação do fungicida no momento ideal, o custo de produção, em média 84 sacas/alqueire, foi reduzido em até 12 sacas/alqueire na propriedade de Sudak.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Projeto Grãos da Emater, Antonio Bodnar, em média, os agricultores fazem 2,3 aplicações de fungicidas nas lavouras de trigo.
''Enquanto alguns produtores realizam até quatro aplicações de fungicidas, o seo Eduardo precisou aplicar o produto apenas uma vez para obter o mesmo resultado. Tudo em função do monitoramento'', concluiu Bodnar. O manejo, Eduardo conheceu numa das edições da Expotécnica.


