Direito de decidir sobre transgênicos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Célia Guerra 
''Teremos condições de dar à sociedade as informações que ela necessita para decidir sobre o uso dos transgênicos''. A afirmação é do pesquisador Luiz Gonzaga Esteves Vieira, coordenador do laboratório de biotecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Como integrante da comunidade científica ele se considera satisfeito com a aprovação do projeto de Lei de Biossegurança, que trata do plantio e comercialização de transgênicos e da pesquisa com células-tronco.
A decisão tomada pelo Senado na última quarta-feira, desobriga o governo a editar uma medida provisória para evitar o plantio de soja transgênica para a safra 2004/2005. Antes de ser sancionada pelo presidente Lula, a Lei de Biossegurança deverá passar novamente pela Câmara dos Deputados, pois os senadores modificaram o texto inicialmente aprovado pelos deputados.
Para Vieira, uma das principais vantagens da lei está em viabilizar os testes da pesquisa junto a comunidade. Ele cita que pela legislação atual, o processo é muito lento e caro. ''Só as grandes corporações possuíam recursos para trabalhar os transgênicos'', afirma.
O pesquisador acredita que a sociedade deva ter o direito de decidir sobre a comercialização dos organismos geneticamente modificados a partir das informações geradas pela pesquisa sobre a segurança desses produtos. Vieira concorda também com a nova composição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que amplia a participação de pesquisadores nas decisões.


