O Brasil peca em ser mais "amiguinho de outros países do que do produtor brasileiro", considera a senadora Ana Amélia Lemos
O Brasil peca em ser mais "amiguinho de outros países do que do produtor brasileiro", considera a senadora Ana Amélia Lemos | Foto: Anderson Coelho



Intimamente ligada as questões do agronegócio nacional, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) esteve na cidade durante a 58ª ExpoLondrina e salientou que o Brasil precisa ter decisões mais enérgicas em relação às negociações com outros países nesta competição pelo protagonismo ligado ao fornecimento de alimentos para o mundo.

Segundo ela, o Brasil peca em ser mais "amiguinho de outros países do que do produtor brasileiro". "Temos uma diplomacia que ainda usa punhos de renda, num mundo que se mostra cada vez mais protecionista, com regulações travestidas de proteção ao consumidor interno. O mundo todo nos conhece, produzimos cada vez mais qualidade e tecnologia."

Ela citou, por exemplo, que a Rússia está recebendo diversos embargos de outros países por conta do envenenamento de um ex-agente russo e sua filha, no Reino Unido, que foi atribuído ao país. "Toda Europa, EUA, México, Argentina fizeram embargos e o Brasil está de bonzinho, mesmo com o embargo da Rússia à carne suína brasileira. Por que não há uma troca neste momento? Nós não estabelecemos nenhum embargo a Rússia, mas não se abre o mercado para a carne suína brasileira. Amigos, amigos, negócios à parte."

Outro exemplo citado pela Senadora foi quando o presidente Michel Temer esteve na Noruega e, segunda ela, "levou um pito" da primeira ministra, porque o Brasil é um país desmatador e que a Noruega iria retirar US$ 200 milhões do Fundo da Amazônia contra o desmatamento, no ano passado. "Se eu fosse presidente, viraria as costas e diria que a visita estava encerrada. Somos os maiores compradores de bacalhau da Noruega. Além disso, este ano tivemos uma empresa norueguesa (no Pará) com lançamento (de efluentes não tratados), um desastre muito maior que esses míseros dólares."

Ana Amélia também salientou a importância do agro fomentar a comunicação. "O setor continua enfrentando um preconceito elevado da região urbana. O produtor rural trabalha, é tudo muito caro para implementar modernas tecnologias, e com infraestrutura cara e ineficiente. Ainda assim é chamado de caloteiro e desmatador, porque o setor se comunica mal. O glamour da forma que às vezes é tratado (na mídia) aumenta o preconceito. Acham que o setor está nadando no dinheiro." (V.L.)

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