Dinheiro da soja pode aquecer leilões
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sexta-feira, 28 de março de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Os remates de gado geral devem estar fortalecidos depois de terminada a colheita da safra de soja. Com a boa remuneração do grão, mesmo para os que fizeram vendas antecipadas, sempre depois de uma boa safra há mais dinheiro circulando no mercado.
A afirmação é do gerente da Porto Ubá Leilões, de Lidianópolis (130 km ao sul de Apucarana), Júlio Vitorino. O problema maior até agora, segundo Vitorino, não foi a falta de dinheiro, mas a de tempo para frequentar as pistas de remates. A maioria dos pecuaristas, que também têm a agricultura, esteve ocupando com os trabalhos de colheita.
Segundo Vitorino, desde meados de janeiro, quando a maioria das empresas leiloeiras voltaram a operar após os recessos normais de fim de ano, em oito leilões realizados pela J.L. a venda média foi de 400 a 450 cabeças semanais, com oferta de fêmeas, animais de desmama, novilhas, entre outros. Ele considera a oferta normal para o período.
Com a entrada da safra de bezerros o número de animais em pista deverá crescer. A maior procura hoje, segundo Júlio Vitorino, tem sido por garrotes para reposição. Quem faz a recria deverá comprar mais animais daqui para a frente.
Outra dificuldade em aumentar o número de animais nas pistas de remates se dá, de acordo com Vitorino, porque alguns pecuaristas, embalados pelos resultados prometidos pela agricultura, sobretudo a soja, arrendaram antigas áreas de pasto para o plantio do grão. ''Agora quem vai aos leilões e vê bons animais tem o dinheiro, mas não tem o espaço para colocar os animais.''
O diretor da J.L.Leilões, de Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá), José Carlos Selestino, concorda que o mercado não está aquecido. Mas, ele acredita que esta situação se dá mais em função do valor da arroba do boi (R$ 55,00 no Paraná para pagamento em 30 dias).
O que puxa, para cima, o mercado, de acordo com Selestino, é a cotação do boi gordo e a de animais de reposição. Mesmo assim ele não reclama das vendas, também semanais, com venda de 600 animais por leilão. Na última terça-feira a J.L. realizou um leilão Especial do Criador, com oferta de 1.100 animais e liquidez de 80.
A expectativa a curto prazo, segundo Selestino, é que o mercado dos leilões de gado geral se mantenha com preços estáveis, sem muitas alterações. Júlio Vitorino concorda.
Para eles, o pecuarista que cuida do pasto, produz cana ou outro alimento, e tem comida para alimentar os animais no inverno, deverá continuar vendendo e comprando, tudo depende do sistema de produção que adota (cria, recria ou engorda); especialmente aqueles que fazem o semiconfinamento deverão provocar uma maior demanda por garrotes.
Os leiloeiros concordam que no mercado de animais não existe mais a clássica diferença de preços entre safra e entressafra. Na entressafra, por exemplo, um dos fatores determinantes para maior oferta e, consequentemente, preços menores, pode ser o clima, que reduz a produção de pasto.
Quem não tem alternativas de alimentos para o plantel, tem que reduzir lotação de pastagens e é ''forçado'' a vender. Mas isso não aconteceu no ano passado porque, diferente do normal, choveu bem no período de maio/junho e, portanto, não foi preciso desovar o gado com medo que os animais emagrecessem no inverno.
Houve também redução de confinamentos, em função dos preços dos insumos e, quando chegou o período de safra, acreditando num preço melhor, muitos pecuaristas reteram os bois no campo, forçando falta e, portanto, alta nos preços. A arroba foi aos R$ 60. Este ano, de acordo com expectativas climáticas e técnicas, de analistas, se o clima for o mesmo, o ''fenômeno'' pode acontecer novamente e a arroba pode bater o valor de 2002. Tem gente falando em até R$ 64.


