Diminuindo o custo na pecuária
Vânia Casado
A colocação de cerca elétrica para fazer piquetes nas pastagens e para limites de propriedades está ficando mais barata do que as cercas convencionais, porque a matéria-prima básica para instalação de cercas convencionais, de madeira de boa qualidade, para os mourões, está escassa. E o custo do arame também está aumentando no mercado. Um fio de cerca elétrica substitui com custos reduzidos a cerca normal com cinco fios de arame farpado e o mourão de madeira.
Segundo cálculo de Francisco Fontana, representante da Speedrite, Nova Zelândia Electric, o quilômetro de cerca elétrica sai por R$120,00, incluindo o custo com eletrificadores, enquanto a cerca convencional custa R$1.500,00 o quilômetro. Segundo Fontana, o maior custo das cercas convencionais é formado pela mão-de-obra, arame e palanques de madeira.
AbrangênciaA principal vantagem está na abrangência dos eletrificadores. Segundo Fontana, enquanto os aparelhos nacionais de eletrificação têm uma abrangência de dois a três quilômetros de cerca, o aparelho fabricado na Nova Zelândia permite uma abrangência de até 120 quilômetros, sem ter que instalar outros aparelhos. Trata-se de uma tecnologia avançada que funciona mesmo nas piores condições de condução de energia, porque foi desenvolvida para funcionar nas piores condições de seca da Austrália e Nova Zelândia.
Fontana está entusiasmado com o crescimento do mercado de cercas elétricas no Brasil, avaliado em US$ 10 milhões por ano. O grande potencial está na região Centro-Oeste, mesmo em locais onde não há energia elétrica, porque os eletrificadores dispensam esse tipo de energia. Eles são carregados por bateria ou energia solar. As cercas elétricas estão sendo usadas inclusive para espantar capivaras das áreas de lavouras.
A tecnologia está ganhando mercado devido ao fácil manejo: de um dia para o outro, qualquer peão da fazenda pode alterar totalmente a marcação dos piquetes, se for utilizada para pecuária, obrigando os animais a se alimentar de toda a pastagem disponível, sem selecionar o alimento, que normalmente ocorre quando a área de pastagem é liberada. Segundo o representante, o choque de 3.000 volts não traz risco aos animais e funciona mais como barreira psicológica. Ela é indicada até para animais domésticos, disse Fontana. Segundo ele, o choque promove contração muscular, como se fosse uma cãibra.
Outra vantagem da cerca elétrica apontada por Fontana é a facilidade da integração pecuária-lavoura, podendo ser uma boa alternativa para a ocupação da área no inverno, período que o produtor vem acumulando prejuízos com os plantios de inverno. Ele explicou que, na entressafra do plantio de soja, a área pode ser usada para semiconfinamento de animais, em função da facilidade de instalação das cercas elétricas.
Um hectare fechado com cerca elétrica permite o confinamento de 5 garrotes, que podem apresentar um ganho diário de até 1,3 quilos por animal. Se os animais ficarem confinados por 150 dias, o produtor terá um ganho de 900 quilos que correspondem a 30 arrobas por hectare, só no inverno. Encerrado esse período o produtor envia os animais para o abate, enrola a cerca e planta a lavoura de verão.





