Diminui distância entre pesquisa e produtores
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sexta-feira, 27 de julho de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O Brasil é celeiro na geração de tecnologias na área agrícola. Grandes instituições de pesquisa desenvolvem técnicas de cultivo e exploração agropecuária para beneficiar milhares de pessoas que se dedicam à atividade. Esse conhecimento percorre caminhos para chegar ao seu público, trajeto que fica sob responsabilidade de agentes da extensão rural.
Na últimas décadas centenas de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) buscam soluções, descobrem e aprimoram técnicas. Mas a empresa se preocupa com o destino de sua produção, instalou uma unidade de transferência de tecnologia, com sede em Brasília, e está implantando uma Agenda de Transferência de Tecnologia (ATT) em todo o país. Participam do projeto instituições estaduais de pesquisa, cooperativas, associações de produtores, organizações não-governamentais e agentes de assistência técnica.
O objetivo da ATT é estabelecer com o sistema produtivo uma parceria contínua. ''Vamos ouvir os agricultores para identificar demandas que poderão nortear as pesquisas'', explica José Roberto Rodrigues Peres, gerente geral da Embrapa Transferência. Mas, segundo ele, o mais importante é acelerar a disponibilidade da produção da Embrapa para o agricultor.
A Agenda de Transferência será implantada por meio dos territórios que o Ministério do Desenvolvimento Agrário usa para suas atividades no país. O processo será instalado nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Também está sendo utilizada a estrutura dos escritórios de negócios da Embrapa. O gerente geral lembra que a empresa fazia chegar ao agricultor a tecnologia gerada em suas unidades por meio do Serviço de Produção de Sementes Básicas. ''As sementes sempre foram um vetor de transferência de tecnologia'', sintetiza.
Peres afirma que a Embrapa prepara um portfolio com as tecnologias que serão disponibilizadas por meio da agenda.''Temos 600 tecnologias geradas em todas as unidades'', diz.
O incentivo à agricultura familiar ganha força com a ATT, demanda identificada na região sul e que deve ser foco também de outras regiões. ''A agricultura familiar está no rol das prioridades das políticas no Brasil'', explica Lineu Alberto Domit, agrônomo da Embrapa Soja, um dos coordenadores da ATT. O tema engloba outras questões que interferem na vida dos produtores, como florestas, frutas, produção de grãos e pecuária, principalmente a leiteira.
A sustentabilidade do agricultor familiar é o principal foco da agenda de transferência de tecnologia, de acordo com Domit. Ao agricultor deve ser garantido o direito à qualidade de vida, que está diretamente ligada à renda da propriedade. ''A sustentabilidade engloba aspectos econômicos, sociais, ambientais e culturais'', afirma.
O processo deve ser sistêmico, contínuo e integrado. Os resultados da pesquisa chegam aos produtores por meio dos agentes de assistência técnica e extensão rural. Numa via de mão dupla, as demandas identificadas no meio rural podem nortear os rumos da pesquisa.


