Em Londrina e região, o problema no setor avícola se repete: descontentamento com o processo de integração, dívidas e má remuneração. O produtor Leonardo Nogueira Duarte, de Rolândia, está há dois anos no ramo e diz que paga para trabalhar. Numa conta simples que apresenta, observa que tem recebido em média R$ 0,15 por cada frango, quando o custo para produzir fica em R$ 0,24.
''No último lote eu recebi R$ 2.476, mas o custo dele foi de 4,5 mil. Estou pagando para trabalhar, não recebo nem o custo de operação'', reclama o avicultor, destacando que pela tabela da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) deveria ser pago R$ 0,47 por cabeça de frango. O produtor completa que recebe em média R$ 0,26. O problema, segundo ele, não para por aí. Quando começou na atividade e firmou parceria com uma empresa da região, a Big Frango, precisou adaptar o barracão para que o frango fosse produzido com padrão para exportação. Ao total, o investimento ficou em R$ 180 mil, sendo R$ 75 mil de recursos próprios e R$ 104 mil financiados.
As parcelas, segundo ele, são pagas para a Big Frango. São 15 prestações de R$ 10 mil, cada uma paga em três lotes. ''A empresa vai descontando do que eu entrego de produção para eles. Se sobra alguma coisa eu recebo. Já teve lote que eu não recebi nada'', afirma Duarte. Conforme ele, quando optou por instalar uma granja e fez a parceria, conversas davam conta de que receberia no mínimo R$ 0,30 por frango. ''Não era o preço da tabela da Faep, mas estava bom'', diz. A empresa, acrescenta Duarte, justifica a queda dos preços com a crise que se abateu sobre a economia no último ano.
A nova tabela de conversão alimentar - o que o frango come de ração e o que produz de carne - também tem sido um problema para os granjeiros. ''Um bom frango é em média de 50 dias, passou disso ele vai comer mais do que a média da conversão, mas não vai produzir muito mais carne'', comenta o produtor Carlos Alexandre, que preferiu não falar seu sobrenome, também de Rolândia. Segundo ele, normalmente a empresa estabelece um período para ir buscar o frango, porém muitas vezes passa daquilo, o frango como muito mais ração e não consegue cumprir a tabela. No entanto, acrescenta, a empresa espera que o frango atinja a tabela de conversão.
Carlos Alexandre começou no ramo há um ano e diz que, no início, técnicos da Big Frango apresentaram proposta de um rendimento que, no futuro, acabou não se concretizando. ''Mas agora não posso parar porque já fiz muitos investimentos e tenho dívidas para pagar'', ressalta. O produtor investiu R$ 125 mil para a construção do barracão tipo exportação, sendo R$ 75 mil de recursos próprios e R$ 50 mil frutos de financiamento, o qual pagará durante 8 anos.
Nos primeiros lotes, Carlos Alexandre chegou a receber R$ 0,42 por cada frango, mas a média fica em R$ 0,25. Na opinião dele, uma média razoável seria de R$ 0,35. ''Com o que recebo só consigo pagar as despesas de produção e o financiamento, não me sobra nada'', lamenta.

mockup