A prática de terraceamento tem sido adotada no Paraná desde a década de 1970, assim como o Sistema de Plantio Direto (SPD). Conforme os pesquisadores do Iapar, durante quase 10 anos, entre meados das décadas de 1980 e 1990, o governo subsidiou a adoção dessa prática. Mas agora, os produtores precisam adotar e mantê-la por conta própria.
Rafael Fuentes, pesquisador do Iapar, admite que a implantação de terraços não é uma medida barata, o que pode limitar sua adoção. ''Mas se pararmos pra pensar que muitos produtores retiraram os terraços que havia na propriedade, é algo mais sério'', reforça o pesquisador João Henrique Caviglione. Eles comentam que é valido levantar a discussão sobre a possibilidade do governo facilitar a implantação dos terraços, porém os agricultores precisam ser mais conscientes.
O secretário executivo do programa de gestão ambiental integrada em microbacias da Seab, Erick Schaitza, observa que não há no momento possibilidade do governo estadual subsidiar a implantação de terraços no Estado. ''Não teríamos recursos em grande escala para fazer isso'', salienta. Mas destaca a possibilidade de subsidiar práticas cujos benefícios saiam da área rural e atinja o meio urbano.
Schaitza ressalta, por sua vez, que os produtores são responsáveis por aquilo que fazem e devem tentar fazer o melhor uso do solo possível. ''Não posso sair fazendo agricultura se não assumir os impactos ambientais provocados na propriedade. É uma atividade que os remunera, então devem assumir algumas responsabilidades'', afirma.
Quanto ao boletim técnico do Iapar, o representante da Seab observa que era necessário. ''Com o SPD, os produtores acreditaram que só isso seria suficiente. Mas o estudo técnico mostrou que não é. Precisávamos de uma norma que recomendasse isso'', avalia Schaitza, ressaltando que o estudo dá base técnica para a secretaria agir. ''Não será uma caça às bruxas. Tem muita gente boa no negócio, que já cumpre com as recomendações para conservação do solo''.
Segundo Schaitza, a secretaria fará um trabalho de divulgação desse boletim, por meio dos sindicatos rurais e dos meios de comunicação da entidade. E que quando for detectato o problema, o produtor será visitado e em um primeiro momento orientado. Mas o não cumprimento da resolução poderá resultar em multa ao produtor, prevista na lei estadual de conservação de solo. O valor da multa varia de R$ 180 a R$ 10 mil. (E.Z.)

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