Para os pecuaristas, o ciclo da produção de carne termina quando o produto final, ''o bife'', é consumido e passa a fazer parte do cardápio diário das pessoas. Por isso a classe produtora está cada vez mais empenhada em provar que a carne bovina é essencial na dieta humana.
Nos eventos promovidos por pecuaristas é nítida a preocupação em discutir, além de inovações no manejo, melhoramento animal e tecnologias, entre outras técnicas, os mitos que foram criados em torno do consumo de carne e a sua importância numa dieta saudável e equilibrada.
Foi assim no 5º Congresso Brasileiro de Raças Zebuínas, realizado entre os dias 20 e 23 em Uberaba (MG), promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). O evento reuniu pecuaristas, técnicos e estudantes, além de médicos e nutricionaistas.
Segundo o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, o setor produtivo da carne quer investir na divulgação do maior número de informações para conquistar novos consumidores. O objetivo, de acordo com Josahkian, não é denegrir outros tipos de carne, mas aumentar o consumo da carne bovina.
De acordo com Josahkian, a idéia de trazer especialistas da área médica para falar sobre a carne em eventos da classe produtiva pode colaborar para acabar com certos mitos que rondam o produto.
O consumo de carne vermelha têm sido associado a doenças do coração, provocadas pelo colesterol contido no alimento. ''Não é o colesterol que faz mal, mas o seu excesso'', afirma a nutricionista Semíramis Domene, da PUC de Campinas (SP), uma das palestrantes do congresso.
As composições das fontes de proteína animal (carnes bovina, suína, de aves ou de peixes) são bastante semelhantes. Por isso, para o médico do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo, Miguel Barbero, também presente no evento, fica difícil entender o preconceito com relação às carnes vermelhas. Segundo ele, a relação entre alto índice de colesterol e o consumo do alimento faz parte dos mitos criados em torno do assunto.
O mais importante, alerta o médico, é quantidade de consumo, forma de preparo e a saúde de quem vai consumir. ''Isso não vale só para a carne, mas para qualquer tipo de alimento. No caso da carne, a ingestão de carnes magras é essencial durante algumas fases da vida e a absorção do valor nutricional vai depender de como o alimento foi preparado e da saúde do consumidor.''
O segredo para uma vida saudável, avisam a nutricionista e o médico, é o equilíbrio, ou seja, os excessos são condenáveis. ''Quando me perguntam qual o melhor alimento para evitar gripe ou qualquer outra doença digo que não existe um único alimento e, sim, um conjunto de coisas, que inclui dieta equilibrada, modo de vida e preparo da comida. O que se pode falar é que a carne cozida é mais saudável e deve ser consumida regularmente'', avisa Semíramis.
A carne bovina, segundo a nutricionista da PUC, tem boa quantidade de ferro, zinco e outros minerais, importantes para a saúde. O ferro, por exemplo, evita entre outras doenças a anemia, completa Miguel Barbero.
Um estudo apresentado durante o congresso apontou deficiência de ferro como causa para o baixo desenvolvimento corporal e estatura em crianças que deixaram de comer carne durante um ano. Essas crianças apresentaram menor peso e tamanho em comparação aquelas que utilizaram a carne na dieta. ''A anemia ferropriva, pela falta de ferro, é muito comum em crianças que não comem carne, ou porque são vegetarianas ou devido ao baixo poder aquisitivo da família'', explica a nutricionsita.
Segundo os médicos com a maior preocupação das pessoas sobre o que estão colocando em suas mesas muitos mitos ainda prevalecem, dando uma falsa idéia de alimentação ''super saudável.''
Os médicos reconhecem que a ingestão de gorduras diminuiu. Mas, por outro lado, muitos pais deixaram de dar diariamente carne vermelha aos filhos, o que é um erro. Pessoas que têm um consumo adequado de carne vermelha e um bom estilo de vida, em geral, estão mais ''protegidas'' do que somente aquelas que apenas mantém o que se considera uma boa dieta alimentar.
A nutricionista reconhece que a população em geral desconhece o valor nutricional da carne, que geralmente só aparece associada a problemas de colesterol e gordura.
Segundo Semírames, uma das discussões mais acaloradas sobre a fração gordura da carne refere-se ao seu teor de colesterol, motivada pelo receio de seu efeito do desenvolvimento ou agravamento de doenças coronarianas, e ao fornecimento de ácidos saturados.
''O colesterol é um composto necessário para o organismo e mesmo que ele não esteja nos alimentos o próprio organismo se encarrega de produzí-lo; somente o alto indice é preocupante. Em 100 gramas de carne bovina são aproximadamente 53 mg de colesterol. Depois do preparo são de 80 a 90 mg. Recomenda-se que a ingestão diária de colesterol por adulto seja próxima de 250 a 300 mg.''
Segundo a nutricionista a carne é também fonte de aminoácidos essenciais ao homem, que não são produzidos no organismo e devem vir dos alimentos. ''Nisto a carne se destaca porque fornece boa quantidade destes aminoácidos.''
Outro destaque é zinco e as carnes são excelentes fontes, avisa a nutricionista. O mineral contribui para funcionamento de diversos sistemas, principalmente o imunológico. Em crianças, deficiência de zinco implica em atraso no crescimento, no desenvolvimento intelectual e na maturação sexual.
A carne bovina é também fonte de vitaminas do complexo B, inclusive a B2 e a B12. A vitamina B12 participa na conversão de nutrientes em energia, mas destaca-se pela manutenção das células vermelhas do sangue e do sistema nervoso central.

mockup