Diarreia suína preocupa autoridades brasileiras
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Identificada pela primeira vez na década de 1970 na Europa, a diarreia epidêmica suína, infecção intestinal causada pelo Coronavírus, tem tirado o sono do setor suinícola brasileiro. A doença voltou com força no ano passado, principalmente nos principais países produtores de carne suína. A doença ainda não chegou ao Brasil, mas o vírus tem se espalhado pelo mundo todo e, só no ano passado, causou a mortalidade de cerca de 6 milhões de animais nos Estados Unidos, um dos principais fornecedores de material genético para o Brasil.
O temor do mercado brasileiro é que a doença chegue ao País tanto por animais e materiais genéticos vindos dos EUA, quanto pela Colômbia, país que faz fronteira com o Brasil e que já registrou 45 focos da doença. Recentemente, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um pedido para intensificar o controle de entrada de materiais genéticos, como plasma sanguíneo, e também com a importações de matrizes.
Rui Eduardo Saldanha Vargas, vice-presidente do setor de suínos da ABPA, aponta que desde as primeiras informações sobre o aparecimento dessa doença no exterior, já entrou em contato com o Mapa para que o governo tome providências. Vargas explica que a diarreia suína não causa dano à saúde de quem consome a carne, já que o grande prejuízo está relacionado à perda de produção, o que desestabiliza o mercado. "Com uma menor oferta, você tem preços elevados. Com isso, o suinocultor irá acabar no prejuízo", justifica Vargas.
O vice-presidente da ABPA conta que o Mapa já se manifestou em relação à solicitação, dizendo que intensificará a quarentena de animais vindos de países com suspeita da doença. "Ficamos satisfeitos com a resposta, mas ainda estamos preocupados", observa. Além disso, Vargas pediu ao governo que intensifique o controle sobre o trânsito de turistas, principalmente durante a Copa do Mundo.
Vargas também pede que os produtores restrinjam as visitas em suas granjas para evitar um possível risco de contaminação. O ideal, completa o vice-presidente da entidade, seria não trazer material genético de fora. O problema é que a produção brasileira necessita desses materiais para a definição de novas linhagens. Atualmente, o Brasil mantém o comércio de material genético com EUA, México e Canadá. O presidente da ABPA, Francisco Turra, frisa que o País é o quarto maior exportador de carne suína do mundo, por isso, o Brasil precisa proteger o seu rebanho.
A doença
Janice Zanela, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, afirma que os norte-americanos ainda não sabem como a doença se alastrou pelos EUA. O mais provável, supõe a especialista, é que ela tenha vindo de materiais genéticos provenientes da China, que enfrentou um grande surto em 2010. "O vírus pode também ter sido transmitido por insumos ou plasma sanguíneo", completa a pesquisadora.
Ela alerta que se o Brasil não fizer um bom trabalho sanitário, a diarreia suína irá chegar ao País. Janice enfatiza que o vírus gastrointestinal possui um alto índice de mortalidade em animais mais novos, mas pode infectar suínos de todas as idades. "Os que sobrevivem perdem peso e adoecem", lamenta a veterinária. Além da restrição de visitantes, a pesquisadora também recomenda a troca frequente de roupa dos funcionários que trabalham nas granjas.
Segundo dados da ABPA, o Brasil exporta carne suína para mais de 70 países. Em 2012 foram embarcadas mais de 32 milhões de toneladas da proteína.


