Um programa de monitoramento da cultura do algodoeiro, que começou a ser executado em todas as regiões produtoras do Estado, no ano passado, vai facilitar o diagnóstico de doenças e evitar maiores danos às plantas, além de racionalizar o uso de defensivos. O programa é da Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar). As ''lavouras-escola'', como estão sendo chamadas as áreas plantadas precocemente, vão detectar possíveis pragas e outros problemas relacionados à cultura antes delas se manifestarem nas lavouras comerciais.
As lavouras foram plantadas em setembro, cerca de 30 dias antes da maioria das áreas de plantio comercial, nos municípios de Assaí, Miraselva, Maringá e Goioerê.
''A intenção é fazermos três eventos técnicos durante o ciclo da cultura para que os técnicos acompanhem os problemas de pregas, doenças e desenvolvimento de variedade de forma prática'', explica o presidente da Acopar, Almir Montecelli.
A primeira reunião técnica aconteceu na área de Assaí e contou com a presença de 60 técnicos de cooperativas e da Emater. Os pesquisadores do Iapar, Walter Jorge e Wilson Paes de Almeida, comentaram sobre as principais pragas e técnicas de manejo para a cultura do algodão no Paraná. Neste ano o Paraná está com uma área plantada de 40.195 hectares, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
Walter Jorge salientou que os técnicos devem estar atentos com as pragas já no início do desenvolvimento do algodão. Principalmente com o aparecimento da lagarta da maça, cujo controle deve ser feito no início do aparecimento da praga.
Segundo o pesquisador do Iapar, se a lagarta atingir mais de 1,5 cm de cumprimento, ela fica insensível aos inseticidas. ''Ela só fica exposta ao defensivo até a primeira idade. Se não eliminar a primeira geração, o estrago pode ser grande'', disse Walter Jorge.
Ele recomendou a aplicação de inseticida quando a infestação atingir 5% da área. Mas frisou que alguns produtos já não são tão eficientes. ''Parte deles já não tem mais eficácia, por isso o algodão transgênico se desenvolveu em algumas partes do mundo'', revelou. ''Além disso, a lagarta da maça já está usando a soja como hospedeira antes de atacar o algodão'', alertou Walter Jorge.
Já o pesquisador Wilson Paes Almeida destacou algumas práticas de manejo do algodão em culturas tecnificadas. Para ele, a tendência será o uso de variedades de porte baixo e tolerantes ao acamamento. ''Essas características trazem maior segurança à lavoura, pois facilitam a penetração da luz e de inseticidas e reduzem a podridão das maçãs inferiores'', disse Almeida.
Ele também enfocou o uso de reguladores de crescimento e como aplicá-los. Segundo a recomendação do pesquisador, o uso deve ser feito somente em dias de sol e o solo deve estar úmido.

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