Diagnóstico da ferrugem
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Reportagem Local 
A empresa Bela Agrícola, de Bela Vista do Paraíso, está montando em Cambé uma estratégia que pode prever a presença da ferrugem asiática nas lavouras da região, na próxima safra. Funcionará da seguinte forma: A) Serão feitos plantios em pequenas áreas localizadas em diferentes altitudes (nas baixadas, a 350 metros; nas áreas intermediárias, 450 metros, e na altitude máxima, 650 metros). B) Técnicos vão acompanhar o comportamento das plantas e o aparecimento de moléstias. C) O monitoramento dessas lavouras (''áreas sentinelas'') poderá indicar se o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem, vai aparecer e atacar a soja este ano. D) Em caso positivo, medidas preventivas serão sugeridas aos agricultores assistidos pela empresa.
O controle deve ser eficaz - avisa o engenheiro agrônomo da Bela Agrícola, Rodrigo Tramontina - porque depois de instalada a doença é de difícil controle.
A antecipação do plantio nas ''áreas sentinelas'', em relação à época seguida pelos agricultores, a partir de novembro, vai evitar perdas da produção.
''Vamos ter um fôlego para orientar o produtor quanto ao melhor momento para entrar aplicando''. A época normal para plantio da soja na região é a partir de 20 de outubro e o pico ocorre na 1 quinzena de novembro. Já o plantio das áreas sentinelas será feito tão logo ocorram as primeiras chuvas.
Se necessárias, as aplicações de fungicidas devem ser feitas nas fases de preflorescimento e ''canivetinho'' - que é a fase de formação e enchimento de grãos.
A grande dificuldade dos agricultores é a identificação da doença logo no
início, medida que possibilita o controle da ferrugem. O
monitoramento contínuo da lavoura é essencial para que o controle possa
ser adotado no momento correto, a fim de se evitar redução da
produtividade'', diz José Renato Farias, chefe de pesquisa da Embrapa
Soja.
Segundo ele, os sintomas iniciais da doença são pequenas pontuações
escuras nas folhas. Depois as folhas amarelecem e caem prematuramente,
impedindo o completo enchimento das vagens. ôA principal forma de
disseminação da doença é o vento e não é possível haver transmissão da
doença pelas sementes.
Na safra 2002/03, a ferrugem disseminou-se por várias regiões produtoras de soja no Brasil Central provocando perdas localizadas de até 70% na produtividade. No Paraná foram constatados focos na região de Mauá da Serra.
No cerrado - A partir desta semana, pesquisadores da Embrapa ministram vários cursos e palestras sobre a ferrugem asiática da soja no Maranhão, no Mato Grosso, em Minas Gerais e em Rondônia. Durante a semana, em Luiz Eduardo Magalhães (BA), foi assinado um convênio entre a Embrapa, a Fundação Bahia, a Agência Estadual de Defesa da Bahia, e a Associações de Agricultores e Irrigantes do Oeste da Bahia para iniciar programa de manejo da ferrugem asiática da soja no oeste baiano.
O objetivo da Embrapa com essas ações é promover o treinamento de
técnicos e possibilitar o monitoramento da ocorrência de ferrugem, além
de facilitar a orientação sobre as formas de controle e a elaboração de
materiais informativos sobre a doença. Na safra 2002/03, a ferrugem
asiática, se disseminou praticamente por todas as regiões produtoras de soja no Brasil, provocando perdas localizadas de até 70% na produtividade da soja.
Somente na Bahia as perdas estimadas foram de 400 mil toneladas de
grãos, segundo a Conab.
De acordo com a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, as
condições que favorecem o desenvolvimento de ferrugem são temperaturas
noturnas amenas e a presença de água na superfície das folhas. As
regiões mais altas normalmente são mais favoráveis devido a um maior número de horas de orvalho. No entanto, nas regiões mais baixas, a presença de chuvas bem distribuídas também favorece o desenvolvimento da ferrugem.
Para reduzir o risco de danos, sugere-se o uso de cultivares de ciclo
precoce e semeaduras no início da época recomendada para evitar a maior
carga de esporos do fungo que irá iniciar a multiplicação nos primeiros
plantios.
Segundo a pesquisadora Cláudia Godoy, o controle da doença pode ser feito com a aplicação de fungicidas registrados no MAPA. A utilização de fungicidas é uma medida de controle para minimizar os danos a curto prazo, mas o objetivo da Embrapa é desenvolver variedades resistentes/tolerante que minimizem as
perdas sem aumentar o custo de produção.


