O Paraná vai comemorar o Dia Mundial da Água, na próxima segunda-feira, dia 22, com o plantio de 1 milhão de árvores nativas nas margens dos rios. A informação é do secretário do Meio Ambiente, Luís Eduardo Cheida. Segundo ele, o objetivo é ''aproveitar a data para sensibilizar toda a população para, em mutirão, recuperar a vegetação das margens dos rios'', afirma.
O plantio faz parte do cronograma de ações previstas no Programa de Recuperação e Conservação da Mata Ciliar. Esse programa deverá abranger todos os municípios do Estado, com o plantio de 90 milhões de mudas no prazo de três anos nas margens dos rios, mananciais de abastecimento e reservatório de usinas hidrelétricas. Na primeira fase estão previstos R$ 25 milhões para investimentos.
''Pela legislação, dependendo da largura de um rio, a área da mata ciliar deve ser constituída entre 30 a 50 metros de largura'', exemplifica Cheida. Ele acrescenta que nas represas essa vegetação deve possuir aproximadamente 100 metros além da margem, o que dependerá sempre do tamanho da caixa do rio.
O secretário acredita que existe um consenso na sociedade favorável a preservação da água e a função da mata ciliar como fator de proteção do solo e dos rios. ''No último século destruímos muito o Estado, com plantações de produtos agrícolas e pastos até a margem dos rios. A natureza demora 500 anos para fazer um centímetro de solo, que vai facilmente para o rio junto com as chuvas se não houver vegetação para sustentá-lo'', explica.
No dia 22 cada município deverá plantar em torno de 2,5 mil mudas de espécies nativas fornecidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), viveiros municipais e Universidades Estaduais. Técnicos do IAP fizeram um trabalho junto às prefeituras para identificar os rios prioritários para o plantio. As espécies foram determinadas de acordo com o clima, vegetação e tipo de solo dos municípios.
Além do plantio de mudas, agricultores paranaenses já estão fazendo o isolamento das áreas próximas às margens dos rios, evitando o pisoteio do gado e deixando que a vegetação se recomponha sozinha.
No Paraná, segundo o secretário Cheida, a qualidade da água está sendo afetada pela ocupação desordenada do solo, resíduos industriais, uso de agrotóxicos e fertilizantes, desmatamento, mineração e da falta de tratamento de esgoto.
As matas ciliares são um obstáculo natural contra o assoreamento, ou seja, evitam a erosão das margens para que a terra não caia dentro do rio tornando-o barrento e dificultando a entrada de luz solar. A mata ciliar também evita enchentes, dá abrigo para os animais, controla a temperatura climática e evita o despejo de lixo e esgoto nos rios, além de impedir que os agrotóxicos das lavouras sejam levados pelas águas da chuva ao rio.
A conservação dessas matas manterá o solo e as águas protegidos, o que poderá contribuir para o aumento da produtividade, principalmente de alimentos, destaca o secretário do Meio Ambiente.
Além de diminuir processos de erosão e assoreamento no leito dos rios, o programa de recuperação de mata ciliar pode auxiliar no aumento de infiltração das águas das chuvas para o abastecimewnto dos lençóis freáticos e a regularização da vazão das águas superficiais pela redução de sua velocidade de escoamento.

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