Desde 1942 o Brasil comemora formalmente o Dia Internacional do Cooperativismo no primeiro sábado de julho de cada ano. Uma celebração que nos vem de gerações passadas, instituída internacionalmente em 1923. Numa única vibração e sob as mais variadas formas - locais, regionais e nacionais - as cooperativas e seus órgãos de representação conclamam os cooperados a reverenciar a data anual do Cooperativismo. Içamos nossa bandeira mais alto para que toda a sociedade a contemple e admire. Internamente, sempre buscamos um ponto comum de reflexão para aquela data, ou alguns pontos, à guisa de alerta para nossos programas de fortalecimento e desenvolvimento. Uma parada no meio do caminho para reaquecer os ânimos.
Os acontecimentos no País e lá fora nos apresentam 1998 como o ano que lança mais tintas e mais clareza no quadro mundial que, há vinte anos, mais até, o pitoresco profético anunciava como aldeia global. Um mundo sem fronteiras para a cultura, intercâmbios, negócios, numa velocidade antes não imaginada mas agora concretizada pela tecnologia da comunicação entre pessoas, países e continentes.
Instantaneamente o mundo se ouve, se vê, se conhece. Antes, não se alcançavam plenamente as repercussões de uma imaginada integração mundial; hoje todas as cortinas foram descerradas. A versatilidade dos meios de comunicação colocou juntos num mesmo vídeo os seis bilhões de pessoas do Planeta, e seus problemas também.
No mundo econômico, a abertura de mercados chegou a todos os povos sem pedir licença. Os mais letrados em macroeconomia testificam que essa globalização era tendência natural, de caráter econômico, e se tornou agora (últimos dez anos) processo inamovível em razão dos benefícios que são distribuídos por todo o Globo, para todos os povos. Não nos interessa abrir dialética aqui; outros já vêm cuidando disso, o futuro trará outras respostas. Preferimos encarar a realidade que envolveu o mundo globalizado; é dentro dele que temos
de agir e prosperar.
De fato, abriram-se escancaradamente os mercados para um consumo internacionalizado; ninguém está mais cativo de sua produção nacional, quem quiser vender mais, haverá de vencer na competição dos mercados. Isso quer dizer também que, no mínimo, foram abalados os paradigmas históricos de processos produtivos. Abaladas também foram as velhas planilhas de custos, mesmo que elaboradas com severidade de cálculos; bem assim os nichos cativos de consumo e as relações de trabalho. A nós brasileiros e a outros países ditos emergentes isso ainda assusta. Explicável: nossa capacidade de competição situava-se em nível inferior aos níveis dos países mais desenvolvidos; era obsoleta nossa tecnologia para produzir mais e mais barato. Os mercados comuns tiveram o mérito de mostrar onde estavam as feridas. As cooperativas do Brasil não escaparam à realidade, todas tiveram de repensar seus processos produtivos e negociais. A OCB pôs-se à frente, e não apenas num sentido protecionista, à busca de medidas oficiais que de alguma forma protegessem nossa produção.
Atravessamos nossas fronteiras nacionais, fomos a outros países, a outros continentes, a outros conglomerados cooperativos, com o propósito de armar intercâmbios, obter financiamento de tecnologias, colher e trocar experiências e negociar compra e venda de produtos em bloco. Abrimos assim novos horizontes para as relações intercooperativas do Brasil com o mundo para que, no mais que
possível, crescêssemos juntos, rumo a um mínimo de nivelamento com as forças de produção mais capazes nos mercados. A equiparação é apenas uma questão de mais tempo, a rearrumação de nossa casa já apresenta resultados.
Em todos os nossos encontros e eventos tem sido intensa essa preocupação do Cooperativismo brasileiro no rumo da capacitação gerencial e tecnológica. Resumidamente: quem busca mercado e crescimento econômico, há de oferecer produtos e serviços melhores e a custos menores. Só consegue êxito nesse mundo de economia globalizada quem segue os trilhos apontados universalmente para o
sucesso, vale dizer, para não sucumbir no campo da competitividade: análise de cenários, planejamento de médio e longo prazo, controles imediatos e permanentes, formação de capital próprio, busca de tecnologia, formação de alianças internas e externas e atenção para a qualidade.
As cooperativas já entenderam tudo isso; são notórios os avanços, mas é necessário agir bem mais. Daí se vir proclamando a importância do processo de cooperação não apenas entre os associados dentro de cada unidade cooperativa, mas também dentro do conjunto de todas as unidades, pela via da intercooperação, nos ambientes municipais, estaduais e nacional.
Para avançarmos em conquistas, entretanto, nunca foi tão necessário, como hoje é, estreitar os laços formadores de nossa unidade, unidade de todo o organismo cooperativo, através de um processo constante e firme de comunicação. Sem isso, os concorrentes mais ativos nos subjugarão e as oportunidades levantadas se perderão no caminho. Se temos problemas comuns, anseios também comuns, e se há dificuldades operacionais em um lado iguais àquelas do outro lado, devemos também traçar estratégias comuns de desenvolvimento, ganhando em escala. Substituir-se-á o esforço individual pelo esforço coletivo, primeiramente através de um sistema comunicativo diuturnamente irrigante.
Eis assim um programa de trabalho estratégico para o Sistema Cooperativista Brasileiro enriquecer com iniciativas mais inovadoras: a máxima circulação de informações entre os órgãos de representação e coordenação entre si, entre eles e as cooperativas, e vice-versa, e o exame conjunto dos cenários, das oportunidades e dos requisitos. Globalizemos internamente o que somos e o que queremos, distribuamos entre nós a inteligência negocial cooperativa e caminhemos mais unidos ainda na valorização do ideal de paz e justiça do Cooperativismo, em benefício da enorme massa de cooperados e da própria sociedade. Tenhamos em conta as resoluções do grande fórum que foi o 11º Congresso Brasileiro de Cooperativismo, realizado no ano
passado; páginas que devemos estar relendo a cada instante e donde
fomos retirar as duas idéias aqui lembradas: a globalização dos
mercados, uma realidade, e a comunicação dentro do Sistema
Cooperativista do Brasil, uma condição para o sucesso.
Mensagem da Aliança Cooperativa Internacional

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