Dia do Agricultor
Ágide Meneguette
No Dia do Agricultor os produtores rurais não têm muito a festejar. Na verdade a situação da grande maioria deles não é para comemorações, mas para lamentações. A queda de renda, a insegurança, as conspirações contra suas atividades têm sido uma constante nos últimos anos, principalmente a partir do grande desastre da safra recorde colhida em 1995, induzido pelo próprio Governo, muito mais interessado em mostrar bons índices de controle inflacionário do que realmente cumprir uma política agrícola. Agora, com as geadas que arrasaram as lavouras de forma tão feroz, a agricultura paranaense fica à mercê de políticas governamentais tão seguras quanto o clima que nos ameaça.
Apesar de tudo isso, o produtor rural continua sendo tratado como um pária pelo Governo e nem tem a consideração e o respeito que merece da sociedade. Fosse na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão, o produtor seria encarado de outra forma, e o apoio ao setor quando assolado por intempéries seria imediato. Não é à toa que esses países apóiam seus agricultores, com garantia de preços para suas safras e polpudos subsídios. Sabem que a base do desenvolvimento econômico de seus países está alicerçada numa agricultura sólida.
No Brasil o agricultor é o herói apenas nos discursos de campanha. Depois é esquecido. Os instrumentos de garantia de preços, que existiam no passado, foram desativados, os recursos de financiamento minguaram e a nova política é a do salve-se quem puder. Isto é triste. Mais que triste, um disparate, porque labora na contramão da lógica.
Produzir no Brasil virou aventura e uma aventura de que se conhece o final inglório. Preços em queda em todo o mundo, procura-se nos países desenvolvidos dar uma compensação aos produtores. Aqui, deixa-se que ele empobreça, largue a terra e venha a ser mais um miserável na periferia das grandes cidades. Em momento algum o Governo atinou para o sentido estratégico de um campo forte, com ânimo e com renda, criando e mantendo empregos, consumindo e movimentando a roda da economia.
Por isso, o produtor nada tem a festejar em seu dia, embora pudesse estar produzindo ainda mais, com mais economia, com benefícios para todo o País. Mas isso só ocorrerá no momento será que virá ? em que os nossos governantes tiverem a consciência da importância do campo no desenvolvimento de todo o País.
O autor é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).





