Dia-de-campo para avaliar a raça
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 1997
Cláudia Barberato 
O Núcleo dos Criadores de Charolês da Região de Guarapuava realiza hoje a partir das 14 horas, na Cabanha Barbosa, do criador Oswaldo Rodrigues Barbosa, o terceiro dia-de-campo sobre a criação da raça. A programação começa com a apresentação de 200 animais PO, para avaliação do plantel, manejo que é dado ao rebanho e as pastagens utilizadas na propriedade. Também estão previstas palestras com veterinários e zootecnistas do departamento técnico do Núcleo de Charolês de Guarapuava.
O objetivo do dia-de-campo é avaliar os terneiros nascidos na propriedade, que trabalha com venda de animais para reprodução. Hoje os criadores do núcleo procuram, através da criação de puros e animais para cruzamento, bovinos charolês que sejam bons produtores de carne. Na avaliação, segundo o tesoureiro do núcleo de criadores, Flavicir Ribeiro, é verificada a conformação, o traseiro do animal (onde está a carne nobre), cabeça, palheta, costela e quanto estes animais deverão produzir de carne. Os criadores buscam animais para fazer o cruzamento industrial, o novilho precoce e o superprecoce.
Manejo da criaçãoA desmama do charolês ocorre por volta dos 7 a 8 meses de idade e a vida reprodutiva, tanto da fêmea quanto do macho, começa dos 20 aos 24 meses. O que se espera é encontrar animais de bom esqueleto, para sustentar a produção de carne; aprumos e patas, para caminhar nos pastos. Somente os animais chamados de cabanha (que participam de julgamentos em exposições) recebem suplementação no cocho. O restante é criado no pasto.
Um dos pontos avaliados para melhoria da raça, no caso dos machos, segundo Ribeiro, é o desenvolvimento do testículo e do prepúcio dos animais. É ali que o touro deverá provar sua eficiência reprodutiva. Um charolês pronto para servir, na idade de 20 a 24 meses deverá ter uma circunferência escrotal em torno de 38 a 50 centímetros, e um prepúcio quanto mais curto melhor, para que não dificulte o trabalho de monta e cobertura nas pastagens mais altas que existem no País.
Os criadores de charolês, conta Ribeiro, estão adotado tecnologias de inseminação e transferência de embriões para melhoramento genético da raça. O Brasil possui animais de linhagem inglesa e a tendência, de acordo com o tesoureiro do núcleo, é importar sêmen e embriões da França, berço da raça, para melhorar o desenvolvimento muscular e aumentar a produção de carne dos animais.
No Brasil muitos rebanhos já possuem a altura mediana, ao contrário dos animais ingleses, e enfrentam bem as pastagens mais altas. Outro objetivo é conseguir bovinos de boas patas, que tenham capacidade de caminhar bastante nos pastos. Há também pontos positivos no acasalamento da linhagem inglesa com a francesa no que diz respeito a habilidade materna das fêmeas.
O núcleo da região de Guarapuava tem 40 criadores ativos, com um rebanho de 4 mil animais registrados, de vários graus de sangue. O núcleo engloba os municípios de Pinhão, Candói e demais cidades que formam a região de Guarapuava. De acordo com Ribeiro, o rebanho da raça está se expandindo por todo o Brasil. Existem criações em São Paulo, Minas Gerais, Pará, Bahia e Santa Catarina, além do Paraná e Rio Grande do Sul, que possui o plantel mais antigo da raça.
CadastrosA melhor forma de comercialização dos animais, além dos leilões, tem sido na propriedade. O núcleo tem um esquema de cadastramento para criadores vendedores e compradores da raça. O serviço, de acordo com o presidente da entidade, Johann Zuber Júnior, facilita a indicação dos vendedores, permitindo que o comprador ganhe tempo. Segundo ele, no cadastro estão informações sobre a quantidade de animais, idade e grau de sangue (PO ou PC). Há também um jornal editado pela entidade que tem trazido compradores de vários Estados.


