Desvalorização do milho já atinge 50%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 2003
Reportagem Local 
O preço do milho, pago ao produtor, atingiu esta semana o seu nível mais baixo deste ano: R$ 12,00/saca nos municípios onde não há muitas opções de mercado. Nas praças tradicionais, o preço variou entre R$ 12,50 e R$ 13,50, até R$ 14,00.
A R$ 12,00 o preço está cerca de 50% abaixo do preço do início da safra. Na semana passada a queda chegará a 50% segundo pelos preços do Deral.
Um preço tão baixo na hora de decidir a safra de verão não é interessante para ninguém, nem para o produtor, nem para a indústria e o consumidor. Nem para o Estado que, fatalmente, terá problemas no abastecimento ano que vem.
Embora os planos para a safra de verão tenham sido definidos, as notícias sobre dificuldade para exportar e a previsão de um preço mais baixos para a soja poderiam fazer o produtor repensar. Mas a soja continua sendo a melhor opção.
A produção da safrinha de milho do Paraná foi reavaliada no último levantamento do Deral, de 4,157 milhões para 4,647 milhões de toneladas. O aumento na estimativa de produção deve-se à reavaliação na área de plantio de 1,2 milhão de há. Porém, a principal razão para o aumento da produção é a estimativa de crescimento na produtividade. Inicialmente havia uma previsão de 3.440 kg há mas a estimativa agora está apontando 3.680 kg por há.
Somando-se a safra normal e a safrinha, o Paraná produzirá este ano 12,81 milhões de toneladas de milho, restando para ser ofertado, neste segundo semestre, 7,5 milhões de toneladas, o que represeneta o consumo anual de milho no Estado, cuja demanda total gira em torno de 11 milhões de toneladas, considerando as expotações e as saídas interestaduais.
A produção nacional será mesmo de 43 milhões de toneladas. Alguns setores da indústria estão prevendo 43,5 milhões até 44 milhões. Na avaliação da safra o Deral chama a atenção para a oferta de produtos substitutos, principalmente sorgo cuja produção, prevista pela Conab será de 1,2 milhão de t. Mas há informações de que a produção de sorgo granífero este ano chegará a 2 milhões de toneladas.
Pelos dados do Deral e da Conab o consumo no Brasil não aumentou em relação ao levantamento do início do ano: será de 37,5 milhões de t. O governo federal absorverá, através dos contratos de opções, entre 2 milhões e 3 milhões de t. O restante terá como foco o mercado externo, pois além da necessidade de escoamento da produção, as cooperativas paranaenses buscarão o mercado externo, evitando a falta de armazéns no segundo semestre.


