Destrua a soqueira até dia 30
No Paraná a destruição de soqueiras de algodão é obrigatória por lei. Quem não obedece, pode ser processado
Vânia Casado
Curitiba
Quem não obedece a legislação é intimado pelo delegado de polícia, para adotar aquela prática. As medidas coercitivas não páram por aí. Depois da advertência da polícia, se a prática de destruição dos restos culturais da planta não for realizada, o produtor responderá a inquérito policial.
Todo esse aparato foi adotado em 1993, para garantir o cumprimento da Resolução 056, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que obriga o produtor a destruir as soqueiras, para impedir a proliferação do bicudo e dezenas de outras pragas e doenças que se encontram nos restos do algodão, como hospedeiros. É na soqueira que o bicudo se alimenta durante a entressafra, para surgir com maior grau de infestação na safra seguinte. ‘‘Não fosse essa lei, a cultura do algodão estaria inviabilizada no Paraná, desde a chegada do bicudo há 10 anos’’, afirma o entomologista Valter Jorge, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
PrazoNo ‘‘cumprimento da lei’’, dia 30 de maio encerra-se o prazo legal para a destruição dos restos culturais do algodão. Os produtores devem queimar os restos culturais, fazer roçada baixa (passar a roçadeira rente ao solo) ou arrancar completamente as soqueiras.‘‘Depois desse prazo, o agricultor tem mais 60 dias, até 30 de julho, para fazer a incorporação dos restos culturais no solo’’, lembrou o técnico da Seab, Maurício Lunardon.
A destruição das soqueiras do algodão é a prática mais importante para controlar a população de bicudo, doenças e outras pragas na cultura. Isso porque, nos restos culturais, estão muitas plantas doentes, infestadas de pulgões e da mosca-branca, que são os vetores de diversas doenças. ‘‘Se não houvesse o controle, a cultura do algodão não teria continuidade no Estado’’, salienta Valter Jorge. Segundo ele, o Paraná está infestado de bicudo e a praga veio para ficar. Mas, graças à prática de limpeza, a população vem sendo mantida no nível de 10%, índice admitido para uma convivência sem grandes prejuízos econômicos.
Com a população de bicudos controlada, o produtor não onera o seu custo de produção, mantendo a média de seis a sete pulverizações com inseticida durante todo o ciclo. Se a praga escapa do controle, o produtor é obrigado a dobrar o número de aplicações e também os custos de produção, que inviabilizam economicamente a cultura.
Tubo mata-bicudoSegundo Valter Jorge, os técnicos costumavam recomendar a adoção de soqueiras-iscas como prática para atrair o bicudo, hospedados nas soqueiras que seriam destruídas. Assim, eles se concentram num cordão com restos culturais. Nestes, distantes da lavoura, basta uma aplicação de inseticida eos insetos morrem. Mas, essa prática é mais recomendada quando a temperatura é elevada.
‘‘Com o frio essa prática é descartada’’, observa o pesquisador do Iapar. Segundo Valter Jorge, os técnicos resistem em recomendar a prática da soqueira-isca, porque ela não tem efeito nenhum se não for acompanhada de uma pulverização bem feita.
Uma tecnologia mais eficiente que está surgindo como alternativa à soqueira-isca é o ‘‘tubo mata-bicudo’’. O instrumento, de plástico, de cor verde-limão, tem o feromônio sexual macho, que atrai a fêmea, e também estimula no inseto a vontade de se alimentar. Os insetos são atraídos para o tubo, que tem uma haste com inseticida que mata as pragas. ‘‘ Assim consegue-se atrair e matar milhares deles’’, explica Valter Jorge. Segundo ele, a técnica é tão avançada que está sendo adotada para erradicar o bicudo nos Estados Unidos.

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