Jota Oliveira
De Londrina
Essa preocupação foi discutida em Campo Grande, MS, durante o 21º Congresso Brasileiro de Agronomia, na semana passada, quando os profissionais trataram da destinação final das embalagens. Elas podem ser transformadas em utilidades como conduítes de fios elétricos e, livres de gases e outros elementos tóxicos, deixar de ser perigosas.
A engenheira-agrônoma Paula Miranda Gerassi, consultora da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), mostrou aos congressistas a técnica que vem sendo utilizada para garantir uma destinação final segura e útil para as embalagens: a técnica da lavagem tríplice e a reciclagem das embalagens, que são transformadas em conduítes corrugados usados para conduzir fios eléricos em edifícios e residências.
Gerassi explicou que, depois de utilizar o inseticida, o herbicida ou o fungicida, os produtores devem lavar as embalagens três vezes. A água usada nas lavagens deve ser aplicada nas lavouras. Feita a lavagem tríplice dentro das técnicas recomendadas, os vasilhames podem ser encaminhados às centrais de entregas de embalagens existentes em vários municípios do País.
A agrônoma informou que até o final deste ano deverão entrar em funcionamento 32 centrais de coleta. No final do ano 2000 o Brasil terá em funconamento 52 dessas estações que, além de recolher as embalagens, têm a missão de orientar agricultores e trabalhadores rurais. O material plástico recolhido nas centrais de entrega é remetido para uma unidade-piloto de reciclagem, instalada na cidade de São Paulo, onde é transformado nos conduites corrugados.
O agrônomo ‘‘Em todo esse processo é fundamental o papel do engenheiro-agrônomo, que deve orientar os produtores rurais, com quem tem contato permanente, sobre o manuseio dos defensivos e a forma como deve proceder em relação às embalagens desses produtos tóxicos’’, destacou Paula Miranda Gerassi.
No Mato Grosso do Sul funcionam duas centrais de coleta de embalagens, instaladas nos municípios de São Gabriel do Oeste e Dourados. Está sendo preparada a instalação de mais uma, no município de Chapadão do Sul. Somente em 1997, segundo estatísticas da Andef, foram utilizados mais de 5 milhões de embalagens de agrotóxicos no Estado.
VaziaCambé, Norte do Paraná, tem uma unidade de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos, e neste primeiro ano de funcionamento já foi esvaziada: três carretas levaram, há cerca de um mês, o material para o Rio de Janeiro, onde é feita a reciclagem ou incineração da sucata, se ela não puder ser reaproveitada.
No ano passado foram comercializadas no Paraná 19.800 toneladas de agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas). Mais de 60% deles eram herbicidas. Nos últimos três anos o consumo tem-se mantido em torno de 19 mil toneladas, no Estado. Só a região de Londrina consumiu no ano passado 3.056 t.
No Brasil, as 35 empresas do setor têm investimento acumulado em ativo fixo estimado em US$600 milhões. Em 1998 foram investidos US$135 milhões na capacidade de produção, em novas instalações de unidades fabris e aumento da capacidade de produção. Para atender esse complexo, foram registrados 325 princípios ativos, que deram origem a 530 formulações e 530 marcas comerciais. O setor empregou 6.729 pessoas no ano passado, superando os postos de trabalho (5.931) oferecidos em 1999. Dos trabalhadores no setor, 1.483 eram engenheiros-agrônomos.

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