A produção menor de feijão nesta safra não contribuiu para uma alta dos preços da leguminosa. Atualmente, a cotação do feijão de cor está na casa dos R$ 66, valor 43% menor do que o registrado na mesma semana do ano passado. O deságio é ainda maior no preço do feijão preto, que caiu 55% nos últimos 12 meses. A forte estiagem registrada em novembro e dezembro do ano passado provocou uma redução de 38% na 1ªsafra com relação ao potencial inicialmente estimado em 601 mil toneladas. Até o mês passado, já era confirmada uma produção 13% menor na 2ªsafra, índice que poderá ser maior uma vez que a colheita ainda não se encerrou.
  Os números finais estão sendo totalizados e deverão ser divulgados na próxima semana pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Por enquanto, a produção prevista na segunda safra é de 385 mil toneladas ante uma projeção inicial de 441 mil toneladas. ‘‘Se estes números se confirmarem, poderemos ter pela primeira vez na história uma segunda safra maior do que a primeira, quando o Paraná colheu 375 mil toneladas’’, diz Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral. Falta definir a terceira safra, mas a produção estadual é insignificante, variando de 7 a 8 mil toneladas.
  O Paraná é o maior produtor da leguminosa, respondendo por 21% do total colhido no País, projetado em 800 mil toneladas. ‘‘Até houve uma reação nos preços registrada no início do ano, mas (o preço) voltou a cair. Apesar da quebra, a produção continua sendo alta’’, comenta Antônio Carlos Salvador, engenheiro agrônomo do Deral. No entanto, o entedimento é que os preços registrados atualmente não chegam a ser baixos. ‘‘No ano passado é que a cotação estava muito alta’’, explica Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral.
  No primeiro semestre do ano passado, praticamente todas as commodities agrícolas atingiram picos de preços puxadas pela especulação no mercado financeiro. Apesar de o feijão não ser considerado uma commodity, acabou favorecido pelo mercado. Nas últimas cinco safras, o preço médio do feijão carioca ficou em R$ 77 a saca, enquanto nestes primeiros cinco meses a média foi de R$ 72. ‘‘2008 foi um ano atípico, quando a média ficou em R$ 135 a saca, puxando a média histórica’’, argumenta a engenheira agrônoma.
Custos
  O custo de produção poderá não ser coberto em lavouras que registraram perdas. Nesta segunda safra, por exemplo, estimando uma produção de 35 sacas de hectare ou 2,1 mil quilos por hectare – sem perdas – o custo variável foi de R$ 42 a saca, enquanto o custo total (considerado preço da terra, depreciação do imóvel e dos maquinários, amortização de investimentos, entre outros itens) sobe para R$ 71. ‘‘Somente no final de 2007 e início de 2008, quando foram registrados picos de preços, é que os produtores de feijão conseguiram cobrir os custos totais’’, salienta a engenheira agronôma.


TENDÊNCIAS


Mercado
O Brasil é o maior produtor de feijão do mundo, mas ainda precisa importar a leguminosa. A Argentina, por exemplo, planta feijão de cor e preto para atender o mercado brasileiro. Na média dos últimos cinco anos, os argentinos exportaram 110 mil toneladas de feijão para o Brasil, cerca de 70% preto. No entanto, em 2008 o volume negociado atingiu 202 mil toneladas, o dobro da média, estimulada pelos altos preços.

China
Aliás, os altos preços do feijão registrados no ano passado provocaram um fato inédito: a entrada dos chineses no mercado nacional. Atraídos pela alta cotação – em média de
R$ 135 a saca de 60 quilos no Paraná – a China exportou cerca de 83 mil toneladas de feijão preto ao Brasil.

Estiagem
Além de perdas nas lavouras de feijão, a estiagem provocou redução na produção de milho safrinha. A seca atingiu todo o Estado, mas alguns municípios das regiões Central, Sul e Sudoeste ficaram até 40 dias sem chuvas. O levantamento das perdas na safra será divulgado na próxima semana pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

Trigo
A estiagem atrasou o plantio de trigo no Estado e, por isso, o zoneamento foi prorrogado em duas regiões: Sul e Sudeste. O plantio prossegue até junho em algumas regiões. No entanto, a seca não prejudicou o desenvolvimento da cultura, uma vez que as chuvas voltaram ao Paraná.

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