Destaques da semana - De olho no mercado interno
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Os suinocultores brasileiros estão com expectativas bastante positivas para 2010. Depois da crise financeira mundial que atingiu de cheio o setor, deixou produtores pelo caminho e provocou prejuízos na ordem de 20% no faturamento, eles começam um período em busca de recuperação de preços e com um objetivo: conquistar de vez o mercado interno e aumentar o consumo per capita, hoje em 13 quilos por ano. Os produtores estão amparados e apoiados pelo Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), lançado no final de 2009.
Segundo Irineu Wessler, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), a meta do projeto é aumentar em 2 quilos o consumo por cada brasileiro, em três anos de trabalho. Para isso, serão realizados ações de marketing e de capacitação dos profissionais da área. ''Há um trabalho para o mercado, disponibilizando cortes de acordo com o desejo do consumidor'', ressaltou Wessler. Os cortes, por sua vez, são menores e atendem a demanda do novo perfil de famílias brasileiras - que reduziram de tamanho - e o grupo de solteiros, por exemplo.
Só para se ter uma ideia, conforme o presidente da ABCS, a média per capita na Europa gira em torno de 45 quilos ao ano. E em países como a Áustria chega a 73 quilos anualmente.
Outro fator que vai contribuir para o bom desempenho do segmento em 2010, adianta Wessler, é o equilíbrio entre a matéria-prima e a venda. Além disso, o custo de produção diminuiu consideravelmente, em média 30%. O milho, cita ele, chegou a cair até R$ 20 por saca de 60 quilos.
Por outro lado, os produtores também estão de olho no consumo externo. A possibilidade de o Paraná - e outros estados - ser considerado livre de febre aftosa sem vacinação, por exemplo, também poderá ajudar o mercado. ''No momento em que houver esse status vamos lutar por mais mercados, entre eles o do Japão e da China'', frisa o presidente da ABCS. Em 2009, o Brasil produziu cerca de 3 milhões de toneladas. Dessas, 20% teve como destino o consumidor externo. Para esse ano, acrescenta Wessler a previsão é manter o volume de exportação.
Paraná
O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Carlos Francisco Geesdorf, confirma que 2010 já começou melhor do que o esperado e as expectativas são positivas para o período. ''A gente acreditava que por conta do período de crise, as vendas não seriam tão positivas. No entanto, a comercialização está boa mesmo nesse período mais quente quando normalmente sofre uma redução'', observa ele. O preço para o produtor paranaense, por sua vez, foi reajustado nas últimas semanas. Em dezembro, o quilo custava entre R$ 1,80 e R$ 1,90. E agora, o suinocultor tem alcançado médias que variam de R$ 2,30 a R$ 2,35.
O mercado futuro, segundo Geesdorf, também deverá ser bastante positivo para o Estado, influenciado em parte pelo PNDS. ''O projeto é muito interessante. Apostamos nessa ideia porque vai mudar a maneira que o consumidor olha e compra o produto'', considera o presidente da APS. No momento, ele comenta que o interessante é que o mercado mantenha a produção e a comercialização, para que o preço fique mais estável.
O Paraná é atualmente o terceiro principal produtor de carne suína do País, ficando atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Abateu em 2009 perto de 5,8 milhões de cabeças de porco, registrando um crescimento de 7% em relação a 2008. Segundo informações da APS, responde atualmente por 11% da exportação do setor. Em 2009, vendeu para o mercado externo 60 mil toneladas, 10% do que produziu. E movimentou nesse mercado US$ 55 milhões.


