DESTAQUES DA SEMANA - Com mais empregos, consumo de feijão cresce e sustenta preço
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sexta-feira, 09 de julho de 2010
Mauro Zafalon<br>Folhapress 
São Paulo - - A economia nacional reage, amplia o leque de emprego e coloca mais trabalhadores na chamada formalidade - pessoas com registro em carteira.
O resultado está sendo uma mudança no comportamento de consumo de produtos populares, utilizados pelas classes de menor poder aquisitivo. Nessa faixa de renda é onde ocorre a maior oferta de empregos.
Ladeira abaixo na opção de consumo dos brasileiros nas últimas décadas, o feijão volta a ter um público mais fiel e mais exigente, forçando inclusive o agricultor a colocar um produto de boa qualidade no mercado.
O resultado desse cenário é o aquecimento atual da demanda e a consequente elevação dos preços.
Esse aquecimento vem do aumento de renda dos consumidores incorporados ao mercado de trabalho, segundo o analista Walmir Brandalizze, da consultoria Brandalizze, de Curitiba (PR).
Nos anos 1970, o consumo médio anual de feijão per capita era de 27 quilos, volume que caiu para cerca de 15 quilos no início desta década, mas que retornou para o patamar próximo de 19 quilos nos últimos anos.
Esse aumento de consumo mantém a demanda aquecida e a exigência de um produto de qualidade.
Brandalizze diz que os produtores que não se adaptarem às novas exigências do mercado estarão com dificuldades para vender a safra.
Muitos que tiveram problemas climáticos durante a safra, e a consequente queda de qualidade, estão deixando de colher o produto.
Rejeitado por supermercados e feiras, o feijão de qualidade inferior não gera renda ao produtor e acaba indo para programas sociais do governo e para cestas básicas fornecidas por indústrias, a preços menores.
FIQUE SABENDO
■ Nos anos 1970, o consumo médio anual de feijão per capita era de 27 quilos, atualmente, o volume está próximo de 19 quilos
■ A produção de feijão da safra 2009/10 fica em 3,15 milhões de toneladas, enquanto o consumo sobe para 3,3 milhões. Há dois anos, era de 2,8 milhões de toneladas.
■ Os estoques finais do produto recuam para apenas 78 mil toneladas. Já estimativas da Conab indicam produção de 3,7 milhões, com consumo de 3,5 milhões.
■ O feijão considerado nobre, que chegava a R$ 170 a saca no campo em junho, recuou para até R$ 150 neste mês
■ O preço mínimo fixado pelo governo está em R$ 80 por saca


