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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A produção agrícola dispõe de um rol de tecnologias que interferem positivamente no resultado da atividade e que colocam o Brasil num posição de destaque na produção de alimentos no mundo. Porém, a despeito dos avanços disponibilizados pela pesquisa, o setor sofre os efeitos de um componente sobre o qual não há controle: o clima.
Nos últimos dois anos, o Brasil enfrentou o La Niña, fenômeno causado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, caracterizado por chuvas irregulares, abaixo da média histórica e mal distribuídas. Neste ano, tivemos as enchentes no norte e nordeste do Brasil e estiagem no sul, o que acabou causando quebra na safra, explica o meteorologista Luiz Renato Lazinski, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Curitiba.
Mas as previsões para a safra de verão 2009/2010 são animadoras. Isto porque o La Niña cederá lugar ao El Niño, que vai proporcionar condições favoráveis a uma boa produção. No centro sul teremos chuvas abundantes, regulares e mais bem distribuídas, diz o meteorologista.
Segundo Lazinski, dados apontam que as chances de estiagem serão pequenas na safra de verão, o que vai favorecer plantio e colheita. O produtor deve estar mais atento ao surgimento de doenças e à erosão, comuns em condições de alta umidade e muita chuva, alerta o meteorologista.
No ano passado, a má distribuição de chuvas prejudicou a safra de grãos. Segundo o Inmet, nos meses de setembro e outubro as precipitações foram normais. Mas em novembro e dezembro, quando as lavouras mais precisavam, as chuvas foram irregulares. Na região de Londrina por exemplo, no mês de novembro, choveu 200 milímetros quando a média é de 160 milímetros. Porém, as precipitações ocorreram somente nos primeiros 12 dias do mês, afirma.
Em dezembro, época em que as precipitações são imprescindíveis ao desenvolvimento das plantas, choveu apenas 40 milímetros quando a média histórica é de 230 milímetros. Em janeiro e fevereiro as chuvas foram normais, mas em abril a estiagem foi severa: choveu apenas 30 milímetros quando o normal são 120.
De acordo com Lazinski, as baixas temperaturas registradas nas últimas semanas são normais para o inverno na região. Porém, as chuvas estão atípicas. Até a última quarta-feira, o Inmet havia registrado 130 milímetros na região de Londrina, quando o normal são 70 milímetros. Estamos numa fase de transição entre o La Niña e o El Niño, explica o meteorologista.


