A biotecnologia é um conceito que, se por um lado, evoca a idéia de modernidade e de avanço, por outro lado, tem suscitado discussões que denotam um forte receio por parte da opinião pública, principalmente porque a palavra biotecnologia vem associada aos transgênicos (OGM, ou organismos geneticamente modificados), que estão no centro de toda a polêmica. Dada a complexidade do assunto e sua vasta abrangência, não é difícil imaginar que as pessoas não estejam adequadamente informadas sobre o assunto.
Nesse sentido, o 4º Encontro de Biotecnologia Vegetal, conhecido como RedBio 2001, configura uma grande oportunidade de se estimular um debate bem informado sobre o assunto. O evento faz parte das atividades da Rede Latino Americana de Biotecnologia Vegetal (RedBio), que é coordenada pela FAO (Food and Agriculture Organization). O Encontro se realiza a cada três anos e os países membros da RedBio se revezam para sediá-lo. Desta vez, o Brasil foi escolhido para sediar o evento, que será realizado entre os dias 4 e 8 de junho em Goiânia.
Será uma oportunidade única para que os cientistas brasileiros aproveitem e explorem o cabedal de conhecimentos que estará disponível no evento. Para a mídia será também o local para colher informações e opiniões sobre os diferentes campos da biotecnologia com as maiores autoridades em cada tema, e para a sociedade o encontro representa uma oportunidade crucial de conhecer mais sobre esses assuntos que alimentam tanta polêmica e estão presentes no dia-a-dia de cada um.
O Encontro tem por objetivo básico ser um fórum para intercâmbio de informações, experiências e idéias entre pesquisadores da América Latina, que trabalham nos diferentes campos da biotecnologia. Além desse enfoque acadêmico, o evento carrega também uma missão política, de informar a população e de subsidiar a elaboração de políticas na área de biotecnologia. São responsáveis pela organização da RedBio 2001 a Universidade Federal de Goiás e a Embrapa Arroz e Feijão.
Em geral, o encontro é coordenado por laboratórios ou instituições de pesquisa com reconhecida capacidade técnica e que são membros da Rede. Uma discussão sobre os diferentes aspectos da biotecnologia só pode contribuir positivamente para dar elementos para que a sociedade assuma sua opinião, livre dos misticismos e das reações apaixonadas que desvirtuam a verdade.
O evento contará com as contribuições de correntes científicas de todos os continentes, pesquisadores de diferentes áreas da ciência, jornalistas da região e políticos nacionais. A diversidade das pessoas que participarão do evento aumenta as possibilidades de uma discussão interdisciplinar que inclua todos os aspectos que envolvem a biotecnologia.
O encontro abordará temas como percepção pública, propriedade intelectual, ética na biotecnologia, estado da arte das discussões entre Americanos e Europeus - no que se relaciona ao uso de organismos geneticamente modificados (OGMs) - , comportamento do consumidor frente aos OGMs, uso de bio-fábricas, e avanços no melhoramento de plantas através do uso de ferramentas biotecnológicas. Também serão abordados temas mais básicos da biotecnologia como o desenvolvimento de vetores para a transformação, genômica funcional, uso da bio-informática para a análise genômica, o silenciamento de genes, entre outros.
Obviamente, nesse universo de temas, alguns se dedicarão especialmente aos OGMs. Seções discutirão as experiências do setor privado com os OGMs na agricultura, a visão e a experiência do agricultor latino-americano no cultivo desses organismos. Além disso, serão apresentadas algumas políticas regionais com respeito ao uso dos mesmos.
Todas as atividades, que se dividem em conferências, mesas redondas e painéis, vão expor cerca de 500 trabalhos científicos. Para a concretização de todas essas ações estarão presentes mais de 1000 pessoas de todos os continentes. Diante de toda a polêmica, reações apaixonadas e receios provocados pela biotecnologia, essa iniciativa é fundamental para contribuir para o esclarecimento que a sociedade realmente carece para se informar e escapar de preconceitos e armadilhas.
O autor é engenheiro-agrônomo, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão e presidente da Sociedade Brasileira de Melhoristas de Plantas

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