Desenvolvimento rural em debate
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Com ou sem crise é sempre bom ouvir histórias de sucesso e se espelhar em bons exemplos para fortalecer-se como indivíduo. E foi o que aconteceu a vários produtores rurais de diversas regiões do Paraná que participaram do painel sobre desenvolvimento rural organizado pela Emater durante a 46 ExpoLondrina.
Uma história curiosa é a do casal Guilherme e Neide Redondo, de Cambé, que encontrou nas frutas a renda extra de que tanto precisava. Numa área de apenas sete hectares a família toca uma pequena agroindústria de polpas de frutas que cresce a todo vapor.
A atividade começou por acaso, conta o produtor. ''Uma empresa ofereceu mudas de acerola a diversos produtores da cidade com o intuito de comprar toda a produção quando iniciássemos a colheita. Apostamos na fruta, mas fomos enganados pela empresa que, na verdade, nunca existiu'', recorda.
Sem saber o que fazer com tanta fruta, Neide adaptou uma máquina de moer carne e começou a processar a polpa da acerola. Os primeiros clientes foram vizinhos e amigos que já compravam os queijos e doces feitos pela produtora rural. ''O sucesso da polpa de acerola foi tão grande que os clientes começaram a pedir diferentes sabores'', relembra Neide.
Foi aí que o casal resolveu investir na agroindustrialização de frutas para sobreviver. Até então, a família cultivava um hectare de café e tocava algumas cabeças de gado de leite. ''No início processávamos de 5 a 10 quilos de polpa por semana. Hoje já são 500 quilos semanais e mais de 2 mil quilos mensais'', calcula Redondo.
Parte da matéria-prima das polpas é cultivada no sítio e o restante é adquirido na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Hoje, o casal trabalha com 14 tipos de frutas e deve iniciar a produção de outras três frutas exóticas, entre elas o tamarindo. ''Com a sobra ainda produzimos 36 tipos de geléias e 16 conservas'', diz Redondo.
Recentemente o casal encontrou nas conservas de pimenta mais um nicho de mercado a ser explorado. ''Percebemos que os consumidores estão aprendendo a comer pimenta e resolvemos investir na fabricação de conservas diferenciadas'', completa.
Para Neide, o verdadeiro sucesso da marca é a qualidade do trabalho artesanal e familiar. ''Tudo é feito em família. Somos nós que compramos as frutas, produzimos a polpa, vendemos e entregamos os produtos aos clientes'', diz. Consolidada no mercado regional, a meta da família é fornecer polpas para todo o Paraná até 2007. ''Para isso vamos investir mais R$ 50 mil na compra de uma nova câmara fria'', anuncia Guilherme Redondo.


