Jota Oliveira
De Londrina
‘‘É impossível falar em pecuária brasileira sem falar em caracu’’, diz o criador Luiz Roberto Roque, criador em Nova Andradina, MS. Ele aponta como ‘‘grande trunfo’’ dessa raça, a primeira desenvolvida no Brasil, o elevado índice de cobertura a campo dos touros que às vezes superam o desempenho de reprodutores zebuínos e chegam cobrir 50 vacas em pastagens do Centro-Oeste, com resultado positivo de 84% de nascimentos, em média.
Em 1534 chegaram a São Vicente, SP, nos porões das caravelas, os primeiros bovinos europeus (Bos taurus). Eram raças da Península Ibérica, como alentejana, minhota, arouquesa e transtagna. Aqui ocorreu uma seleção natural que foi adaptando as raças ao ambiente tropical e, em 1916, com a fundação do ‘‘Herd Book Caracu’’, era oficializada a nova raça, formada a partir de animais de pêlo amarelo que se tornaram os grandes bois carreiros, utilizados no transporte de mercadorias e gente pelas mais inóspitas estradas brasileiras. Além disso, a raça fornecia carne e leite aos pioneiros.
De pêlo curto e fino, cascos resistentes, rústicos, resistentes aos parasitas, os animais da nova raça revelaram também habilidade materna. Além destas vantagens Luiz Roberto acrescenta a fertilidade superior a 80% (mais bezerros no rebanho), cobertura a campo (média de 50 vacas por touro), média baixa de prenhez positiva, com baixo custo; prepúcio alto (ideal para as pastagens brasileiras) e longevidade (até 15 anos) como reprodutor.
Hoje, essa raça vem atuando, com bons resultados, no cruzamento industrial, conforme certifica pesquisa desenvolvida por Kepler Euclides Filho, da Embrapa-Gado de Corte, de Campo Grande, MS. Do acasalamento de touros caracu com fêmeas meio-sangue angus-nelore, e simental-nelore, nasceram machos 50% caracu, 25% nelore e 25% de sangue angus ou 25% de nelore e 25% de simental. Alimentando-se com Brachiaria decumbens suplementada com sal mineral e confinados para terminação, os produtos ganharam em média 1.200 gramas ao dia, apresentaram 58% de rendimento de carcaça e conversão de 6 kg de matéria seca em 1 kg de carne.
Leilão da raça caracu, na Exposição de Londrina, está marcado para sábado, dia 15, às 20 horas, no Recinto Abdel Karin Janene, Parque Ney Braga.

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