CritériosHermelino Nogueira, da Valcoop: os descontos obedecem padrões e critérios técnicosValdeir Martins, do Rancho Seleção, localizado na Warta, distrito de Londrina, trabalha junto com a família na produção de leite. Os Martins não são associados a nenhuma cooperativa. ‘‘Por isso a gente paga, pelos insumos que a cooperativa comercializa, até dez por cento a mais que os preços cobrados dos cooperados’’, informa Valdeir Martins.
‘‘Mas em compensação, você vende o seu produto até cem por cento mais caro e para quem você quiser’’, observa. A produção diária do Rancho Seleção é de 1.400 litros de leite. As cooperativas, segundo Valdeir Martins, estão comprando o litro de leite tipo A (que é o produzido no Rancho Seleção), a R$ 0,24.
A cooperativa se encarrega de embalar e fazer a distribuição do produto. Os Martins estão entregando o leite em padarias e supermercados de Londrina a R$ 0,60. O transporte, a embalagem e a distribuição ficam por conta deles. ‘‘Não pensamos ainda em ser cooperados’’’, diz Valdeir Martins. ‘‘A exclusividade de só entregar o produto à cooperativa não nos agrada’’, reclama Martins.
Dorico da SilvaAs cooperativas atuam em todas as fases da cadeia agropecuária. Foto: caminhão na Valcoop
André Martins Capolla, do lote 101, da Gleba Jacutinga, também localizada na Warta, é um ex-associado de cooperativa. Dono de cinco alqueires, hoje arrendados, Capolla reclama que a cooperativa a que pertencia não deu assistência técnica no momento em que ele mais precisou. ‘‘Foi há alguns anos, quando a lagarta atacou toda a minha lavoura de soja’’, lembra.
SegurançaO gerente de comercialização da Cooperativa Agrícola Vale do Tibagi (Valcoop), com sede em Londrina, Hermelino Nogueira, garante que as cooperativas funcionam como uma segurança para o produtor, principalmente para os pequenos. ‘‘Se não tiver preço, o produto vai estar armazenado na cooperativa à espera de mercado’’, explica.
Segundo Hermelino Nogueira, são as cooperativas que reivindicam os melhores preços, a liberação de recursos para o agricultor plantar e os Valores Básicos de Custeio (VBC). Os associados da Valcoop são produtores de soja, trigo, milho, café e algodão. ‘‘E todos eles contam com a nossa orientação técnica’’, garante o gerente de comercialização.
DescontosA taxa que é cobrada regularmente dos associados, diz Hermelino Nogueira, é para a administração da cooperativa. ‘‘Já dos produtos são cobradas taxas conforme a sua qualidade’’, salienta. ‘‘No caso da soja, por exemplo, com até 14 graus de umidade e um por cento de impureza, o produto é isento de desconto. Mas, acima disso os descontos são progressivos’’, ressalta Nogueira. ‘‘Esses descontos obedecem padrões e critérios técnicos’’, justifica.
Outra cobrança feita pela cooperativa é a taxa de recebimento, ‘‘que é para ter recursos para beneficiar e armazenar o produto’’. Os descontos são necessários, prossegue o gerente de comercialização da Valcoop, porque ‘‘o mercado exige produtos dentro do padrão de qualidade, seco e limpo.’’
PinhoConforme o livro ‘‘O que você precisa saber sobre cooperativismo’’, publicação da Emater editada em 1992, a árvore do pinho significa fecundidade, perseverança e imortalidade, ‘‘por isso, o símbolo do cooperativismo são dois pinheiros, para demonstrar a necessidade de ação unida e mútua cooperação’’.

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