Atividade complementar em pequenas propriedades rurais, a apicultura está dando lugar a uma criação diferente, que combina a produção de mel com a preservação da natureza. A meliponicultura, como é conhecida a criação de abelhas nativas sem ferrão, conquistou não só as mulheres, pela facilidade de manejo, mas também os homens, que vêm na praticidade do cuidado com as abelhas, um hobby.
Luis Hiroshi Shimizu, instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), explica essas abelhas têm porte menor, não apresentam risco à saude humana, mas perdem em rusticidade para as abelhas africanizadas. A sensibilidade ao frio também é um diferencial.
''A temperatura ideal de um meliponário deve girar em torno de 34 a 36 graus. E no inverno, o cuidado deve ser redobrado, senão muitas abelhas morrem em decorrência do frio'', assinala Shimizu.
Segundo ele, uma colméia racional deve ser construída com madeira de qualidade e as paredes devem ter espessura mínima de três centímetros. ''Nas regiões mais frias é comum os meliponicultores intercalarem uma camada de isopor entre duas camadas de madeira na construção da colméia. Nesse caso, o isopor serve como isolante térmico'', afirma.
O instrutor sugere que o meliponário seja construído sempre em locais bastante arborizados e livres de vento. O ideal, de acordo com Shimizu, é que as abelhas permaneçam em meia-sombra, recebendo o sol da manhã e da tarde, mas nunca o sol do meio-dia.
Outra vantagem da meliponicultura sobre a apicultura, segundo Shimizu, é a possibilidade do meliponário ser construído não só no campo mas também no quintal de casa. ''Um apiário deve ter pelo menos 300 metros de distância de qualquer construção por questão de segurança'', aponta.
A composição do ninho de uma colméia de abelhas nativas é diferente da de abelhas africanizadas ou européias. Segundo Shimizu, o ninho das abelhas sem ferrão é formado por até 20 discos de crias, que podem chegar a 12 centímetros de diâmetro cada. Os ninhos são protegidos por finas películas de cera e ocupam metade da colméia. A outra metade é o ocupada pela melgueira.
Outro diferencial é a quantidade de abelhas. Num meliponário existem cerca de cinco mil abelhas, enquanto que num apiário existem até 80 mil abelhas. ''A produção de mel num apiário é muito maior, mas a qualidade do mel dos meliponídeos é superior'', declara Shimizu.
Segundo ele, a melhor forma de coletar o mel é retirar a melgueira, furá-la sobre um balde e deixar o mel escorrer. ''O produtor também pode espremer o mel, mas essa técnica dificulta a recomposição da melgueira'', completa.

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