Jota Oliveira
De Londrina
A afirmação é do cafeicultor Wilson Baggio, presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio e diretor de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). O sistema, diz o produtor, é ideal para os plantios adensados, ao permitir a secagem separada de grãos maduros, verdes e eventualmente secos (‘‘bóias’’) que acabam sendo colhidos juntos no pano.
Com isso a qualidade do café também melhora. ‘‘Com essa separação e tratamento diferenciado, podemos fazer um ótimo café CD-Cereja Descascado e também, se bem conduzido, um café bom com os grãos verdes’’, opina Baggio. Ele explica que o cultivo adensado ‘‘vem crescendo muito no Paranᒒ e, como técnica de qualidade, a colheita deve ser feita no pano, logo que os grãos começam a madurar. Ao se colher o café maduro, ou cereja, saem junto grãos verdes e, eventualmente, secos. Os verdes equivalem em média a 30% do café colhido. Por isso é necessário o cafeicultor equipar-se, para não perder produção devido a essa mistura.
Tratamento diferenciadoÉ comum a colheita ser feita em duas e até três vezes, especialmente no sistema adensado, em que ela deve começar mais cedo, em abril ou maio, para que o cafezal tenha menor possibilidade de ser afetado por geadas ainda com toda a produção no pé. A antecipação torna inevitável a presença dos grãos verdes, porém a maior parte fica na lavoura para amadurecer.
Baggio diz que a mistura de maturação ‘‘sempre trouxe grande dificuldade ao preparo de um bom café no terreiro, na condução na seca e finalmente no benefício’’ – onde uma parte dos grãos verdes torna-se preta, o que é defeito e baixa o tipo do café e sua qualidade em geral.
Agora existem equipamentos que melhoram essa situação: o descascador separa o cereja do verde e do ‘‘bóia’’ e o desmucilador tira o excesso de doce (‘‘mel’’) do grão descascado.
‘‘Com os novos equipamentos, desenvolvidos pela empresa Máquinas Pinhalense, podemos trabalhar, secando distintamente, o cereja descascado do verde, que recebem tratamentos muito diferenciados’’, diz Wilson Baggio. Ele considera o sistema ‘‘um passo grande e decisivo em direção aos cafés finos e especiais, que estão tendo procura e ágio de preço, elevando em muito a qualidade, igualando-se aos melhores cafés brasileiros, situados em maiores altitudes, como o café do Cerrado, o café do Sul de Minas, da Mogiana e outras regiões.’’